26
Jul 19
publicado por Sofá Rouge, às 12:38link do post | comentar

Chego-me carregado de entulho à casa inerte dos pais que fugiram do medo. Tudo desgoverna a emancipação do medo. A morte atravessa-se, em desdém seco, revirando olhares fugidios e desalinhados.

 

Eras tu, eras tu, gritam, podres, os embaraços de quem agarra a ceifa.

 

Sento-me à esquerda da minha sombra. Teima em fugir-me. Atiro sacos e roupas acessórias escada abaixo, em direcção a nada. Não existe lá nada que valha a pena. Nada é. Nem o pó, nem a dor, nem o ar que já não se respira. Nada. Toco-me, exalo o fumo que lambi à beata de um charuto abandonado no cinzeiro, à entrada. Ainda aceso, cheirava a podre. Carregava cinzas de vidas sofridas. Voltam a mim as imagens reflectidas nos espelhos imundos do hall que abraça a sala de estar. Já não está lá ninguém. Permutam, sós, as cadeiras e o mofo bafiento, em intervalos de famílias que vão e vêm, ao sabor das rendas pagas em suor. Atiro mais sacos e mais fumo.

 

Cerro os olhos.

 

Puxo a cabeça para trás e sonho: são três da tarde em Abril.

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31
Jul 17
publicado por Sofá Rouge, às 22:50link do post | comentar

Ao amor de uma vida, enjeitam-se abraços eternos e beijos que não terminam em lábios carnudos. Sugam-se em bailados de línguas ávidas de cor e luz. Abraçam-se, entreabertas, as formas do prazer. Entregam-se. Desnudam-se. Ao amor da vida, voam dedos em pontas que vão e vêm, desenhando espirais arrepiadas de deleite, na pele que aguarda. Esperas eriçadas de suspiros ardentes e desejos ofegantes. Ao amor de uma vida, beija-se o tempo. Aguardam-se olhares cúmplices, de amores gritados ao vento. Sopram-se beijos de olhos fechados. Ao amor de uma vida, ama-se e diz-se e vive-se, respirando o cheiro a sono, das manhãs. Abraçam-se peitos em peitos de pele fresca. Despertam-se sentidos de olhos fechados. Enamorados. À vida, feita de amor, olha-se de frente, em horizontes perfeitos de final de dia. Suspira-se saudade. O amor de uma vida respira-se hoje, amanhã e sempre. Para sempre. Onde um beijo encerra o universo selado nos lábios. Amar, assim, é candura é doçura. É encerrar o mundo todo na loucura. É ser-se um mundo pleno de ternura. Amar, de uma vida, és tu. Sou eu. Somos nós. Eternamente nós

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31
Jul 16
publicado por Sofá Rouge, às 21:31link do post | comentar

é lindo o suspiro que sustenho quando se abrem as folhas do teu parágrafo. Sabes a Primavera, numa noite doce de aromas frescos. Tens enredos e novelas. Bebes vinho tinto ao luar.

E eu vejo-te do outro lado do mar.


publicado por Sofá Rouge, às 21:27link do post | comentar

...ou o tempo em que as horas batiam desalinhadas, em relógios ofegantes de nós. Eram os passos trilhados por nós.

por nós.


12
Mar 14
publicado por Sofá Rouge, às 11:25link do post | comentar

Cospem-se hirtos aventais de malvadez, em espasmos breves de alucinações aladas. 
Voam asas em corpos que planam ao sabor dos descontentes.
Hirtos, tesos, quedam-se estáticos na esperança. 
Voam, que voam, ou julgam voar.
Sonham que são, na demanda da razão.


06
Mar 14
publicado por Sofá Rouge, às 19:22link do post | comentar

Eram mais que nove, as azeitonas, mais que os dedos que hoje contam os anos que passam. Como ontem fosse agora, e o amanhã dissesse ao tempo que foram nove, apenas nove, os anos que agora são.

 


27
Fev 14
publicado por Sofá Rouge, às 22:43link do post | comentar

Fechou-se o espaço na saudade de um beijo. Um não: dois. Eram dois os beijos que ficaram suspensos no ar. O meu e o teu.


publicado por Sofá Rouge, às 13:25link do post | comentar

Eras traço feito de aroma fresco e alquimia pura. Dançámos, que dançámos, em pontas de lápis vincado, a esboço de carvão negro. Gravámos, na dobra, o sabor ímpar do nosso bailado. Entalhamos o sangue ao coração, a traço negro do desassossego. E por lá ficamos, em rascunho...


publicado por Sofá Rouge, às 13:02link do post | comentar

Brilham-se-me os olhos de securas ardentes, carentes. 
Choram descansos. Sentem saudade.


publicado por Sofá Rouge, às 12:46link do post | comentar

Sabes, amor, o quanto amar-te transpira da pele que sua, na espera de saber?

Sabes o quanto foge a dor, de saber que dói - de doer muito! -, da dor de não saber?

E sabes, amor, que se toldam passos não dados, na ânsia das certezas que aguardam, fúnebres, encarquilhadas, as vozes de ti na exactidão de mim.

De nós. De nós…

Que é feito de nós?

Quantos nós, de nós, teremos (ainda) nós?

Quantos riscos de bailados traçados, nas ruas de amargura e veneno soprado, firmarão os nossos passos? Serão esboços, serão traços? Tulipas vermelhas em jarros pintados? Serão sopros, serão passos? Vermelhos rasgados nos paços, amores desfeitos em prantos, despojos em profundos lamentos, serão ensaios, serão traços?!

Que tudo sejam senão falsos!  

Serão danças em passos lestos, no infinito da fronteira, no limiar de um mundo meu?

Será meu, será nosso?

 

Que é feito de nós?

Sabes,amor?

 

 

 

 

 


publicado por Sofá Rouge, às 06:58link do post | comentar

Viraram-se os passos de costas ao tempo, na pressa que fez de ficar sem saber, na face do tempo que na espera quedou, à espera do tempo em que o tempo mudou.


21
Fev 14
publicado por Sofá Rouge, às 04:36link do post | comentar

E quando tudo é cinzento, cinzento que nem abre espaço ao branco e ao negro, e não dormes, não dormes, não fechas, nem quebras?

 


20
Fev 14
publicado por Sofá Rouge, às 07:27link do post | comentar

E amanhã, nada. Tudo ou nada. E faz frio, e faz frio. 
E amanhã? Nada.


15
Fev 14
publicado por Sofá Rouge, às 10:47link do post | comentar

Desaperta-me o peito, para que a flor do meu abraço se mostre em par ao som de um beijo teu.

 


publicado por Sofá Rouge, às 10:06link do post | comentar

Abraços de mãos são beijos suaves de cigarros mal fumados. Viciam de nicotina o peito em chamas e baforadas quentes. 
Fumam-se calmamente. 
Percorrem-nos a alma, os dedos finos e ágeis da melancolia.

 


publicado por Sofá Rouge, às 06:21link do post | comentar

É mais ou menos isto... Já basta o ruído do pensamento. 
Malditos duendes... Mastigam de boca aberta e reviram olhos de asco e mal dizer. Falam que falam e não se calam.

 


20
Jan 14
publicado por Sofá Rouge, às 17:09link do post | comentar

Pssst, psssst....
cheira-me um beijo, devagarinho. Sim, ao ouvido que sussurras deleites, sopra-me asfaltos de mel, em pontas da língua áspera e seca de mim. 
Mas silenciosamente...


07
Jan 14
publicado por Sofá Rouge, às 17:13link do post | comentar

Despedidas que vincam a pele a ferros em brasa. Doem que doem, ao tempo que fervem.

 


publicado por Sofá Rouge, às 07:48link do post | comentar

Vendo bem as coisas, as noites de insónias servem para pôr os pensamentos em dia, em ordem, e lembrar até de pensar nas coisas que já nem nos lembramos de pensar.


07
Nov 13
publicado por Sofá Rouge, às 12:36link do post | comentar

Ardem-me os olhos e tenho umas pontas de cabelo mais rebeldes a pairarem sobre as orelhas. As manhãs são, normalmente, tramadas: dói-me tudo, custa abrir os olhos e o despertador é um martelo que vai, pouco a pouco, perfurando o sono até obrigar-me a mexer o braço, esticá-lo e fazer deslizar o botão para o modo: snooze. Vou de olhos fechados até ao trabalho e, pelo meio, há uma série de coisas que acontecem, que, normalmente, depois não me lembro. Hoje foram as meias: tenho uma de cada nacionalidade. São ambas pretas – só uso meia preta – mas uma é mais comprida que outra e os elásticos também fazem desenhos diferentes. Nada de grave. Pior é esquecer de fechar o fecho das calças, coisa que, ultimamente, até nem tem acontecido. Acho eu. Passam agora aproximadamente 6 horas desde que me levantei e, depois de olhares fugidios e esgares de canto do pessoal que atravessa os corredores, reparo que afinal a camisola preta que tinha vestido por cima da camisa igualmente preta, não é preta, mas sim azul. Numas calças castanhas a fugir para o beige, que namoram com uma camisa preta por baixo de uma camisola azul escura, cobertas por um casaco castanho esverdeado, não ter um sobretudo vermelho alaranjado já é uma sorte. O que vale é que não possuo tal coisa. E fartei-me eu de ver e rever, verificar no corredor, na casa de banho e no quarto, a cor preta da camisola que afinal não era preta. Sinto um pé mais quente que o outro, mas deve ser sugestão minha agora que falo nestas coisas. Há dias assim. Mas já abro os olhos. Ardem-me, mas já estão abertos. Ah, e está tudo bem fechadinho…


06
Nov 13
publicado por Sofá Rouge, às 14:44link do post | comentar

São os violinos que me transportam para longe de mim. Enchem-me a cabeça de cordas que gritam e clamam, em danças desgovernadas, qual casal enamorado num baile de um abraço dado e sonhado. Entornam, despejam, vomitam vozes estridentemente pacificadoras, em alma que atenta na sua paz. São os violinos, tocados de queixo, que queixam ardores, tremores e dores de quem suplica e levita, na melancolia de uma nota vibrada, de uma corda puxada, tocada.

 


publicado por Sofá Rouge, às 12:56link do post | comentar

Serão vozes de infinito que vivem em mim? Serão passos descalços de sanidade que obrigam caminho? Ou serei eu, mais a mais de mim mesmo, na infinidade de mim, quem ensurdece os ouvidos, nas vozes imensas que habitam em mim.


publicado por Sofá Rouge, às 12:40link do post | comentar

É o tempo dos abraços sonhados. Sim, o fim do tempo, dos tempos, onde já nada existe, onde já tudo foi. Mesmo que apenas abraços sonhados, no fim dos tempos do tempo.


publicado por Sofá Rouge, às 11:55link do post | comentar

Há dias assim...

 

Enevoados.

De olhos trocados.

Orelhas caídas.

Desanimados.

De horas malditas.

Acabrunhados.

 

Há dias assim...

 


08
Out 13
publicado por Sofá Rouge, às 11:15link do post | comentar

Havia no ar um cheiro a mel cortado pelo amargo das amêndoas, que insistia em pairar vagarosamente nos intervalos do meu andar. Pé ante pé, respirava a vida de mão dada contigo. Respirávamos os dois. Pé ante pé, caminhávamos na calçada que nos levaria mais além de nós próprios. Seríamos caminho feito piso seco, nos passos vincados de algodão e mel, o mesmo mel que agora se colava às paredes do meu peito. Quanto mais inspirava, mais o mel namorava as amêndoas, beijava-as demoradamente e bailavam. E tu saboreavas de olhos fechados – de mão ainda colada à minha, como que se o aroma doce e intenso do mel a beijar a amêndoa colasse e fundisse a tua certeza à minha – e caminhavas na certeza do amanhã. Sempre o amanhã, com um travo suave de ternura e malvadez pelas memórias das amêndoas que jamais provariam a tua boca.

 


02
Out 13
publicado por Sofá Rouge, às 14:46link do post | comentar

Vejo tudo com a palma das minhas mãos. São profetas, vêem bem. Vejo o mundo, sinto gente, no manifesto das minhas mãos. E sinto a alma, a tua alma, com a ponta dos meus dedos. Carregam-se, suaves, pelas memórias da tua pele. Lembra-se amena, fresca. Densa e breve, de tom igual às rugas das mãos (as minhas) que a abraçam e desvendam. Eram mistério que de mapa desvendam arrepios em ti. Fecho, depois, os olhos que nada olham e abraço o mundo com as minhas mãos abertas. É assim que elas vivem. E eu vejo e revejo, e vivo e revivo, e persisto e subsisto: de mãos apoiadas na ponta dos meus dedos, em intervalos breves das tuas curvas, do teu corpo desenhado na palma das minhas mãos.

 


publicado por Sofá Rouge, às 12:02link do post | comentar

Há tanto tempo que nada parece

Há tanto tempo que tudo acontece

Na volta do corpo, na volta do beijo

Eras tu quem amava no tempo e no jeito.

Esquece-te em mim, do nada que fui no tudo de mim

Esquece-te, assim, o pouco de mim.

Afoga-me, abraça-me, esquece-me só assim. Assim…

Como quem não percebe o que fomos em mim.

Há um nada no tempo que tudo se esquece

Há tanto nada de nada parecer

Há um nada de nada viver

Eras tu como tudo do nada viver.

 

 

 

 

 


14
Set 13
publicado por Sofá Rouge, às 15:05link do post | comentar

13
Set 13
publicado por Sofá Rouge, às 16:19link do post | comentar

Tenho uma bela companhia à noite: eu e o meu outro eu, o que não dorme porque não consegue. O que quer e consegue, fica na treta com o meu outro eu. O inquilino tramado, de mim. Eu, mais eu de mim mesmo, fazemos um belo par à noite, sem dormir. Oh se fazemos!


publicado por Sofá Rouge, às 15:59link do post | comentar

viram as pregas do vestido colado ao corpo e fugiram.

cruzaram, despidas, a avenida dos plátanos. Eram duas. Só duas. Viram e fugiram, como tu e eu quando estamos colados e não nos vemos.


28
Ago 13
publicado por Sofá Rouge, às 11:10link do post | comentar

Havia um areal de gente despida, a que nós os dois, a medo e muito receio, nos juntámos. Estávamos nus, no meio de gente nua. E o medo de sermos vistos, no meio de nada que se visse de novo, era o medo da excitação, o medo da expurgação. Despiríamos do corpo e alma todos os pecados da nossa vida a dois. Seria ali, pela primeira vez de pele nua ao mundo - a um novo mundo - que começaríamos tudo de novo. Naquela praia de gente nua, ficaríamos também nós despidos de nós. Teríamos medo de nos olharmos e descobrirmos a excitação de nos vermos despidos, frente a frente. Estaríamos sem nada que nos tapasse ou cobrisse e olharíamos um para o outro com o calor que nasce nas mais profundas entranhas do desejo. Ficaríamos encavacados, sem saber o que fazer às mãos e descobriríamos que um beijo, no meio da areia deserta de roupa e pudor, traria ainda mais à pele o ardor da vontade latente do nosso desejo. Fugiríamos, vestidos de um sorriso tonto e toalha às costas, até ao carro estacionado no meio de outros dois. Teríamos apenas o tempo para vestir o fato de banho e arrancávamos em direcção ao sul daquela praia. Rumo a lado nenhum. Seria no caminho que a tua boca descobriria que baixando pelo umbigo, os beijinhos excitavam ainda mais uma condução que se pedia atenta. Não seria por isso que pararias. Com cuidado, havias encostado os teus lábios ao sabor da mão que marcava o ritmo. Ias sorrindo ao perceber que entre a estrada e a atenção que me prendia, bailava um corpo no fio de uma navalha que se fazia estremecer, alternando entre a excitação e o tremor de quem perde o controlo, e a necessidade de manter tudo composto. Pararias ainda antes do meu ser, sorrindo e dizendo entre um suspiro que, assim, ficaria para uma próxima vez. Desta, querias que os teus seios fossem tocados, beijados, sentidos, viajados... Que fossemos rapidamente para casa e que os nossos corpos se encontrassem novamente despidos. Já não de nós, mas connosco. Um no outro de nós.


03
Jun 13
publicado por Sofá Rouge, às 18:05link do post | comentar

Tenho um nado vivo no meu corcel
Cavalga, cavalga!
 Ginete alado qual pombo de mar
Existe?
Existe?
Cavalga, sereno
Sem asas nem penas.
Subsiste e assobia.


publicado por Sofá Rouge, às 15:25link do post | comentar

São feitos de cor os textos teus

Que num beijo de brisa fresca

Esperam os meus…

Aguardam, antes da letra, um beijo meu

À frase certa do peito teu

Num abraço perdido, desamparado

Da espera que nos faz o tempo morto.

São feitos de cor os lábios teus

De ponta em beijos afiados

À linha de ternura que os desenha

E aos sorrisos frescos dos teus olhos.


02
Jun 13
publicado por Sofá Rouge, às 23:03link do post | comentar

- E, depois, chegas devagarinho ao beijo que tenho para te dar e abraças-me num daqueles abraços que sonho quando adormeço a pensar em ti, e depois... e depois, és tu! Transformas-te em ti mesmo e olhas para os meus olhos e percebes que sou eu, que sempre fui eu! Que era eu, ali, que te esperava como sempre, num abraço de esquina ao tempo que passava enquanto não vinhas nunca. Eu, eu mesma: eu! Ainda antes de ser eu, eu. Apenas eu.
- ah! mas isso será astronómico!


publicado por Sofá Rouge, às 19:42link do post | comentar | ver comentários (1)

Um dia vou encontrar o meu corpo junto ao teu e, nesse dia, terei escrito o teu poema no mais belo olhar de lua cheia. Ao mesmo tempo um beijo meu vestirá de alça justa o peito teu. Nos corpos nossos despidos de nós.

 

No baile das estrelas cadentes ao horizonte...

 

Aí, saberei escrever-te para sempre.


publicado por Sofá Rouge, às 18:29link do post | comentar

Odeio-te, beijo seco que não te dou!

Odeio-te, odeio-te, boca suja fechada de mim!

 

Odeio-te tanto, mas tanto, que nem te odeio

Nem odeio de quem odeia mais que tudo

E só odeia de asco e nojo e podridão

De não poder sequer poder mais odiar

Nem mais beijos teus poder sonhar

Ou mais beijos nossos poder trocar

Nos dias que secos de ti ainda mais serão!


publicado por Sofá Rouge, às 17:24link do post | comentar

Sou ou não sou a criança que não dou

De mim ao abrigo que me vou

Ou sou já pouco do que dou

Ao medo do que por medo já não vou.

 

Já não sou nada do que sou.

Nem o tempo que a que me dou

Nem o corpo a que me vou

Nem tão pouco a quem já nem sou.

 

Já nada resta do que sou

Nada resta ao que sou

Nem ao pouco que me dou.


01
Jun 13
publicado por Sofá Rouge, às 20:54link do post | comentar

Talvez eu não verta as lágrimas que se chorem, nem assoe lenços de dor em descartáveis tempos já vividos. Talvez não chore as lagrimas dos outros, nem sofra as dores dos demais. Talvez não saiba as dores que sofrem nos beirais, os ais dos outros, dos demais.
Talvez não chore as lágrimas de chorar, nem verta rosto de jeito perdido. Talvez nada disso seja a minha dor, nem a dor que dói de doer muito. Talvez, talvez... Ou não sei eu doer da mesma forma, a dor que dói já por doer, ou simplesmente já dói só por doer, de nada mais saber fazer.


publicado por Sofá Rouge, às 10:34link do post | comentar

Aqui no meu corpo, tudo é diferente.

Todo o ar se comprime, todo o vento deprime.

Não há mais imagens que vi, nem toalhas húmidas do teu banho quente.

Há o meu corpo, desfeito de ti.

Há uma Lua que eternamente se oculta de mim,

em quarto-crescentes ávidos de beijos guardados.

Existo eu, no meu corpo sem ti,

Despido de mim.

Só corpo de mim.


07
Mai 13
publicado por Sofá Rouge, às 14:20link do post | comentar

Eram 14 os anos que ali viviam. Faziam distância, àquela distância.
Eram os anos do sonho que com sonho ficamos. Tu e eu.
Agora.
Num beijo depois, despido de adeus.
Num abraço apertado, dos braços já teus.
Num suspiro a dois, vestido depois.
Eram já idos os passos sonhados, cobrados aos dois, do passado assombrado do longe que foi.
Eram só dois que ali estavam: os dois.
Amavam que amavam e prontos depois,
Ficaram, beijaram a pele dos dois.
Só dois.
Tu e eu.


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