29
Out 11
publicado por Sofá Rouge, às 22:23link do post | comentar | ver comentários (3)
Roubem-me os decotes e os espartilhos
tirem-me o fôlego de um sufoco
afastem-me de tudo o que me suporta
esganem-me em colares de contas e meias voltas
mas deixem-me gritar bem alto
que do alto do berro ninguém me tira.

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26
Out 11
publicado por Sofá Rouge, às 19:05link do post | comentar | ver comentários (2)
Fumo que fumo
e fumando me dou
enquanto fumo e refumo
do fumo que vou fumando
antes e depois que vai entrando
o fumo que fumo e vou fumando
em bafos de fumo fumado
nos intervalos que vou pensando.
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publicado por Sofá Rouge, às 19:02link do post | comentar | ver comentários (1)
Vendavais levantam o frio estrume
que seco se empilha nos beirais
em fétidos odores de cor escura
de habitações livres aos insectos
que repousam em intervalos esvoaçantes
à espera do sossego e calmaria
dos ventos que se vão e não repousem
e se empilhem em nojos podres de dejectos
já pois espalhados nos recantos
os negros sujos fetos depositados
descaiando as paredes já não brancas.
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25
Out 11
publicado por Sofá Rouge, às 11:18link do post | comentar | ver comentários (2)
Guardo-te o olhar em dias frios
quando miras o lume aceso da fogueira
ou apenas te vês para dentro em olhos secos
ao esperares por dias quentes já sem mantos
e relembres o nu dos corpos que se abraçam
nas camas frias e despidas de saudades.
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publicado por Sofá Rouge, às 11:04link do post | comentar | ver comentários (2)
Do sal que pincelo em tua boca
guardo reflexos de diamante em águas brandas
como sais que brilham entre iguais
dos ais que vais soltando e não guardando
aos braços que vão colando em solto manto
das línguas que acordadas se vão juntando.
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17
Out 11
publicado por Sofá Rouge, às 23:19link do post | comentar | ver comentários (1)
Faz-te em lutas hábeis de hirta espada
em guerras de vozes e gritos mudos
de punhais frios de ferro forjados
ou argumentos despidos de preconceitos
com a força de mil-homens na palavra
e trespassa o ventre dos iguais
que em tudo ou nada serão jamais
a espada e adaga de breve nada.
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publicado por Sofá Rouge, às 22:53link do post | comentar | ver comentários (2)
Quando voas que levas?
Quando voas que voas?
E se voas, que levas?
Nas asas da tua mão
ou nas penas do teu cordão
Que levas tu quando voas?
E te soltas da solidão
planando, não batendo
descansando de forçar
de tanto doer de voar
Que sonhas tu quando voas?
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publicado por Sofá Rouge, às 22:40link do post | comentar | ver comentários (3)
Amanhas-te em cobertores grossos de Invernos passados
aos sabores de lenha húmida trepidante
e copos altos vazios de vinho
enquanto esperas em carpetes de pêlo fofo
nua de roupa, vestida de encanto
o frio que passe e te traga ao teu pranto
quem mais tu queres que se enrosque a teu lado.
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publicado por Sofá Rouge, às 21:36link do post | comentar | ver comentários (1)
Vejo-me em pedaços secos de hóstias queimadas
regado de vinho morno e broa quente
de dias e dias de tempos idos
tão duros mastigam os dentes que caem
do tempo da espera de dias melhores.
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publicado por Sofá Rouge, às 17:34link do post | comentar | ver comentários (1)
Borbulham-se e espumam-se os demais
em decadentes ritmos de braços no ar
nos beirais das vielas sujas de nojo
em copos partidos e garrafas vazias
ao som dos bêbados que se encostam
em guturais golfadas de olhar escuro
à medida que o copo se vai
e a barba grande continua a crescer.
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publicado por Sofá Rouge, às 17:25link do post | comentar | ver comentários (2)
Sais de mim por teu suspiro
em suaves passos de nuvens soltas
enquanto de ti saem ais
e de mim o teu sabor.
Ficam no meio os meus abraços
os beijos e arfantes olhares
nos teus encantos ao ritmo
dos corpos que a beijar se ficaram.
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publicado por Sofá Rouge, às 17:10link do post | comentar | ver comentários (1)
Beijos que beijam em beijos de mel
de bocas em bocas coladas ao céu
com braços e abraços em jeitos perfeitos
nos corpos que colam e se beijam assim
na pele da pele, dos peitos no peito
ou abraços de pernas em braços que juntam
e olhares que miram sem estarem abertos
as almas que beijam sem beijo nem boca.
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publicado por Sofá Rouge, às 13:36link do post | comentar | ver comentários (1)
Teus turbantes pendem aos ventos
de enforcados nós em ramos presos
em bailados suaves de brisas frescas
aos tempos secos da terra que espera.
Quedam-se mirando os abutres ao longe
que da espera calma se fazem ter
em pacientes olhares de bicos soltos
ao nó que apertando vai mais matando.
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02
Out 11
publicado por Sofá Rouge, às 16:58link do post | comentar | ver comentários (7)
Nos moinhos bailam ventos
em suas fraldas já rasgadas
velhas e sujas pelos tempos
e suas mós já não desfazem
o tempo que rodava sem descanso
no olho seco picado de pó.
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publicado por Sofá Rouge, às 16:49link do post | comentar | ver comentários (5)
Afagam-se incertezas em viagens matinais
por ruas e avenidas de alcatrão posto
em ritmos despertos de sonhos brandos
enquanto se espera o infinito
além da dor da tua espera.
Colam-se retalhos velhos a novos rumos
na esperança de novos horizontes
mas a esquina que vem dobrando
não acompanha o que é preciso.
Fogem-se as vielas por nossas solas
gastas e rotas das calçadas
em breves passos já cansados
até ao próximo pouso na estrada.
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