21
Fev 12
publicado por Sofá Rouge, às 23:40link do post | comentar | ver comentários (2)
Estou rodeado de branco. Paredes brancas, cama branca, lençóis brancos. Tudo é branco. Perfeitamente branco. Não de um branco qualquer. De branco branco. Não há enfeites esbranquiçados, não há pontos escuros, nem sequer móveis de outra cor. Agora, reparando melhor, nem há móveis sequer. Apenas uma cama, uma pequena mesa-de-cabeceira com um copo cheio em cima e três paredes que consigo ver no meu horizonte. Presumo que atrás de mim exista mais uma. Prefiro não olhar para já. Não quero imaginar que atrás de mim o mundo se feche em mais uma parede branca. Empurro-me para junto do copo e tento perceber pelo cheiro se realmente é água que repousa no copo. É um disparate, penso. Se for água não cheira a absolutamente nada. De qualquer forma, insisto. Óbvio: não cheira. Suponho que seja água, mas não a levo à boca. Não tenho assim tanta sede, nem me apetece ter certeza nenhuma. Aliás, quero efectivamente não ter certezas nenhumas. Essa é a única certeza que tenho. Prefiro a ignorância deste branco. Curiosamente, este pensamento, cospe-me a coincidência da cor que me rodeia ao não querer saber de nada. Realmente o branco é incerteza, é tudo e não é nada. É um mundo puro, perfeito, sem fim, mas impossível. Estarei a sonhar? Pisco o olho à cama branca e reparo que está perfeitamente alinhada junto à parede. Deve ter sido colocada milimetricamente ao centro. A cabeceira encosta-se à parede lisa, mesmo à minha frente, com a mesa do seu lado direito. Acho aquela disposição algo estranha. Não pela correcta centragem do leito, mas porque, afinal, a única distorção neste alinhamento é precisamente a mesa de cabeceira, que se encosta desproporcionadamente nesta parede. Parece que falta uma outra do outro lado da cama branca. Se der dois ou três passos atrás poderei ver melhor, em perspectiva. Tento comandar o pé direito mas detenho-me. E se embater noutra parede? Ou, ainda, se não embater em nada? E neste caso, quantos passos poderei dar mais? Pouso o pé entorpecido. Baralha-me a questão dos passos. Ainda agora tentei perceber se a água era água. Quantos passos terei dado? Começo a ficar impaciente por não conseguir chegar a nenhuma conclusão. Terão sido dois, três? Bolas! Detalhe! Preciso de prestar atenção ao detalhe! Sinto a cara a escorrer suor e o corpo a começar a ficar ligeiramente mais quente. Sei, agora, que estou a começar a ficar desorientado. Tenho de rapidamente encontrar uma solução. Não posso ficar estático nesta posição indefinidamente. Pensando melhor, porque não? Se ficar assim, resolvo a questão. O branco continua branco as três paredes brancas permanecem brancas, a cama não mudará de cor e o copo nem se partirá sequer.
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publicado por Sofá Rouge, às 15:04link do post | comentar | ver comentários (1)
Decalco-te o seio em minhas mãos
em traços largos sob a cama
e pinceladas breves nos lençóis.
Decalco-te no leito que foi meu
e teu e nosso a cada sopro
para que a tua forma lá se quede
enquanto te perco por um instante.
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20
Fev 12
publicado por Sofá Rouge, às 17:16link do post | comentar | ver comentários (1)

Véus caídos soltam os enfeites
de castas semi-puras pensam eles
de brancos aventais em rituais
que cospem das favelas imaginárias
as asas que não se abrem para voar
mas antes fecham cortes de idiotas
que se julgam livres com enfeites
ou após os soltos devaneios
das donzelas que soltam seus cabelos

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publicado por Sofá Rouge, às 16:46link do post | comentar
As pipas de vinho caíam em magotes de cor avermelhada, infestando de um nauseabundo cheiro a viela escura e suja das traseiras. Entornava-se vinho rua abaixo, pintando um manto de espuma o empedrado que terminava na rua principal.
- Os jumentos entornaram o vinho novamente. Bestas! – guturou, entre dentes, um velho estendido no passeio.
A rua era escura, pintada de negro e nem a sombra lá entrava. Havia gente espalhada em cada esquina. Esticavam-se todos em mantas e pedaços de cartão para suportar o frio. As noites ao relento enrijecem os ossos. Passado uns tempos, parece que o frio já nem é frio. Tornamo-nos imunes. Desfrios.
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publicado por Sofá Rouge, às 16:34link do post | comentar

Estridentes imagens esvoaçam nos meus olhos
de fálicos arranjos em teu redor
ao som de quentes embalos de peito aberto
em rítmicos embalos de frases feitas
enquanto soltas o teu pranto já sincero
à madrugada vizinha que lesta se mira
e aperta o regaço de quem a despira.

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publicado por Sofá Rouge, às 16:24link do post | comentar

Sabes que tu não és tu
nem eu
nem nós.
tu nem tu, nem és
nem nada do que és
nem tudo que te és
ou nada em que te vês.
Tu, nem tu és
nem és tu que te és.
És, simplesmente,
a sombra que não te és.

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publicado por Sofá Rouge, às 16:19link do post | comentar

Paredes de negro
em quadros sujos
penduram-se a medo
as botas de mim
descalças do dia
cansadas e gastas
de aço fundidas
as biqueiras desfeitas
que soltam a brita
da tarde de dor
nas costas pesadas
da carga vestir
em idas e voltas
de atilhos caídos
sem preocupação
nem jeito de nós
levam as suas mãos
deixando-os soltos
à sua solidão.

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publicado por Sofá Rouge, às 13:15link do post | comentar

Saboreio-te o cheiro que deixaste
em dedos que por ti já passearam
enquanto olho para dentro e vivo seco
as memórias do cheiro que deixaste
nos mesmos dedos que por ti já lá ficaram
no mesmo manto que o teu cheiro vai deixando
mas hoje apenas arde nos meus dedos.

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publicado por Sofá Rouge, às 13:11link do post | comentar

Obscenos videos reflectem na retina
em bruscos flashes negros e fumo branco
repetem incessantes momentos já vividos
e renascem imagens obtusas de negro giz
trazendo às costas feras de tiranos
em cargas de força e grunhos de sebo
à medida que o grito cresce e já se estira
do peito que aberto não mais suspira
nos intervalos dos berros que vomita.

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publicado por Sofá Rouge, às 12:56link do post | comentar | ver comentários (2)

Cheios vitrais de cor em janelas sujas e baças pelos tempos respiram a medo a luz que os penetra em bafos raiados de vento e gotas que pedrejam os beirais em murros de soco nos batentes em esperas de dias e dias estáticos quedam-se hirtos em molduras e impávidas esperanças que se quebrem em mil pedaços de fragmentos.

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publicado por Sofá Rouge, às 12:28link do post | comentar
Antúrios descalços e vermelhos
que pendem soltos em teu regaço
juntam-se em pés de mais unidos
traços de cor de mais amigos
ou flores que já secas ainda se quedam
em ramalhetes de vida e cor do teu amor
que da lembrança apenas resta essa flor.
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publicado por Sofá Rouge, às 12:23link do post | comentar

Ri-se para mim e eu pergunto
ou penso em que par se tornam belos
ali, à minha espero enquanto páro
e olho e miro em pé descalço.
Revejo com as mãos que quedam firmes
em jeitos sem saberem que fazer
ou antes sem perdão de não tocarem
a espera que se espera sem saber.
Abraço-te com a boca de olhos fechados
enquanto imagino o teu rubor
e sinto-te as mãos pelo meu jeito
enquanto a boca suga o teu peito.
E páro.
Páro no meu jeito do teu peito
em breves sopros já mirando
em olhos mais que abertos e vibrantes
de te ver encher o peito com ternura
de mãos dadas com o jeito do teu beijo.

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publicado por Sofá Rouge, às 12:06link do post | comentar | ver comentários (1)

Gosto do mar enquanto sonho
de gente cheio, vibrante, em suas casas
nos invernos frios, revoltados
e sem almas que lhe acompanhem a solidão.

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publicado por Sofá Rouge, às 11:37link do post | comentar | ver comentários (1)

Sinto-te o cheiro nos meus dedos
em pontas da mão que lá passeia
entre toques e aromas bem sentidos
e suspiros de sorrisos não contidos
em viagens de pele suave em toques quentes
e entretantos de coxas firmes e mais ardentes
nas voltas dos toques leves e penetrantes
do ventre que espumando vai-se soltando
em coros de suspiros largados ao vento
em sussurros mudos e não despidos
do par que fazem com o toque enaltecer
os dedos as pontas e tu de ser.

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publicado por Sofá Rouge, às 11:01link do post | comentar | ver comentários (1)
Morro-te nos lábios
nas voltas da tua boca
entrelaçado em línguas vivas
de vai-vem doce de emoções
e olhos que fechados tudo sentem
em mãos que acompanham a tua pele
e puxam e repousam tudo à volta
entre gritos sem ar e mudos arrepios
à medida que o beijo lento acelera
e as mãos que leves eram tornam garras.
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15
Fev 12
publicado por Sofá Rouge, às 17:33link do post | comentar | ver comentários (1)

Dedos que roem o asfalto
em joanetes de dor e mais ardor
em unhas que reviram cor de dor
dos dedos que passeiam ou se quedam
em pés que calcam o piso seco
gretados de vielas andantes
enrolados em pele seca e decadente.

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publicado por Sofá Rouge, às 17:23link do post | comentar

Detesto pés!
Mas gosto de andar com os meus.

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publicado por Sofá Rouge, às 16:00link do post | comentar

Passeio-me em calcanhares despidos
dentro de mim e mais ninguém
em pontas de pés varridos de lembrança
ou vagas memórias de passos dados
enquanto percorro as tábuas deste leito
antes passadas a vinte dedos
em direcções cegas sempre iguais
de lado postas juntas coladas
às costas que juntas uniam as asas
em passos brandos secos neste soalho.

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publicado por Sofá Rouge, às 15:12link do post | comentar | ver comentários (1)

Descartas o agora que se foi
do descartável da vida que te foi
em dias e dias sempre iguais
de viagens iguais de mais e mais
em cuspidos valores de carneiros banais
já que hoje é só presente
amanhã jamais ausente
e o ontem não é mais.

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publicado por Sofá Rouge, às 13:28link do post | comentar
Gosto de mim e de ti
mesmo quando em mim nada te vi
ou em ti nada revi
e mesmo assim gosto de ti
mais que de mim sem ser a ti
que de mim tudo em ti
não é mais que de mim senão em ti.
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publicado por Sofá Rouge, às 13:24link do post | comentar
Que sabes que sentes e pendes
desse teu ar tão inocente
que sente que sabe do mundo
a frescura de tenra ternura
mas que pende em vago olhar
quando sabe que sente vazios
dos frios encaixes de tudo
e sente que sabe o mais puro
dos olhares de um inocente?
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publicado por Sofá Rouge, às 13:10link do post | comentar | ver comentários (2)
Espreitam-se reflexos às janelas
sujas e baças pelo tempo
de imagens desfocadas do teu ser
enquanto esperas da alma reviver
as fotografias de presentes inconstantes
embaciadas também elas em teu olhar
que vira e revira nessas janelas.
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publicado por Sofá Rouge, às 11:45link do post | comentar | ver comentários (1)
Saltam os dentes em teu sorriso
dos lábios que entreabem o sabor
do beijo que pede a tua língua
entre os que espreitam sorrateiros
e se apoiam à janela
da tua boca enquanto sorri.
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14
Fev 12
publicado por Sofá Rouge, às 16:01link do post | comentar | ver comentários (1)
Cospem-se em fogo de escarros velhos
os velhos que fogem de barba suja
e espumam-se as bocas de nojo vazias
em amarelos dentes que mascam tabaco
enquanto se estendem as mãos vazias
ou chapéus que pendem na berma da estrada.
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publicado por Sofá Rouge, às 15:40link do post | comentar | ver comentários (2)
Rasgam-se as pedras em calçadas
de teus passos em largos voos
que de caminhos soltos se apressam lestos
de par em par em altos saltos
em vidros de peitos e meias altas
negras vielas que sobem a coxa
de foguetes que ardem da fuga que fez
nos passos que passam a rua calçada
e apressam o passo da tua pegada.
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publicado por Sofá Rouge, às 15:31link do post | comentar | ver comentários (1)
Serei eu a sombra que te segue
ou alma vazia de assombro em teu calor
de brisas na esquina do teu ser
ou apenas o escuro da silhueta que te esvai
em passos largos à minha espera
na luz da rua que te estende
em pedaços frágeis de mim em ti
que da luz da alma te contorna o rosto
em sorrisos escondidos da minha vez
mesmo em frente à sombra em que me vês
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publicado por Sofá Rouge, às 13:46link do post | comentar | ver comentários (1)
Amo-te porque sim e porque não
porque és e não me és
quando tens e não vens
se me és e não te vês.
Amo-te em dias e noites de solidão
em horas e horas de rasgão
do tempo que passa em meu ardor
ou tempo que pára em teu redor
de imagens nua sob a cama
ou de pele despida apenas tu
em esperas e esperas sem senão
de fervores quentes em frescos arrepios
da pele que dos corpos saúda em saudades
enquanto a espera se deleita à tua imagem.
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06
Fev 12
publicado por Sofá Rouge, às 02:08link do post | comentar | ver comentários (1)

Magia em movimento aos teus enfeites
de triunfais devaneios em teu furor
na espera de novos rumos em nós quedamos
nos entretantos de mais vezes que nos amamos
ou antes da espera em chama que subjuga
a vontade do querer e não poder

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publicado por Sofá Rouge, às 01:32link do post | comentar

Enfeito-me o berço de peito vazio
na cama que despes em passos de lã
enquanto te julgas de fado crescida
ou anjo de branco sem asa despida
e jorro-me fel e sonhos soltos
em aguardente de sonho de noites vividas
dos dias que noites retornam em pranto
sem escarro nem jeito nem tanto recanto

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publicado por Sofá Rouge, às 01:25link do post | comentar

Espero-te em punhais de ponta manchada
de asco e nojo e verme de vómito
enquanto te trocas das vestes que cais
em mundanas vitórias de trajes iguais
ou escapas de nada em tudo sem cor
de guturais imagens gritando nas bermas
dos cantos de encantos que nunca terás
em saltos que altos apenas te empurram
ao nojo do nojo que enjoando te ves

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publicado por Sofá Rouge, às 00:50link do post | comentar | ver comentários (1)
Desfeitos os laços de nós e malhas
em cruas vestes de leitos sós
enquanto a espera se espreita vazia
ou antes não volta dos jeitos e voltas
nos mantos de brisa fresca em tua pele
ou repastos dos teus prazeres
em pedaços soltos de aroma fechado
do traço que traçam as pernas que enjeitas
ou fazes que trazes e jeitos te dás
no lento manto de encanto no leito
que nosso já foi e para sempre terá
o cheiro que nosso teima em não fugir

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02
Fev 12
publicado por Sofá Rouge, às 23:02link do post | comentar | ver comentários (1)
Arrotam-se piegas à janela
dos enxovais secos e gastos
que passam desgostos rotos e sós
em assobios enrolados
desgostos passados
e piscar de olhos ao luar.

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01
Fev 12
publicado por Sofá Rouge, às 17:40link do post | comentar
Reparo agora nesse sinal.
Jamais havia dado por ele!
Curioso...
Pende-te escuro e seco, como se fosse gritar,
correr, pular e berrar, aos mais altos recantos do ser!
Já o tinhas?
Como antes nunca o vi?!
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publicado por Sofá Rouge, às 17:36link do post | comentar | ver comentários (1)
Sabes aquele pardieiro sujo, deslavado e escuro, lá no alto do meu pensamento?
Aquele imundo antro de estupidez atroz que daqui se vê?
Sabes?
Perfeito.
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publicado por Sofá Rouge, às 17:32link do post | comentar
Seguem-se as mãos
atrás do vento
Quantos?
Dedos há que não apontam
nem sequer sabem pender
entrelaçam-se em vergonha
Já?
E os olhos que não abrem?
Nem sequer a muito custo!
Atrás do vento segues tu
nem sentes que sentes o ar do vento
ao desbravar-te em caminhos de sopro
enquanto te levantam os pés do chão.
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publicado por Sofá Rouge, às 17:27link do post | comentar
De olhar preso em teus fantasmas
sigo de frente o teu rasto vazio
em pegadas secas nas margens húmidas
esperando encontrar-te lá de noite
na infinita imagem do teu olhar
enquanto o meu pranto me acompanha
par em par o teu sentido
ou a espera de te encontrar.
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publicado por Sofá Rouge, às 16:40link do post | comentar
Sabes, quanto me és?
Tu, sim, tu, sabes quanto me és?
Sabes?
E quanto de ti em mim respiras e suspiras
de tanto sufoco trespassado
ou vagas memórias de longos anos
das vidas vividas e mais sofridas
de tempos mortos e mortos em vida
ou vidas que foram mas nunca resistem
em tempos do tempo que nunca se apaga
em abraços já dados e mais por viver
em beijos de face ou soltos no vento
Sabes?
Que pedaços de mim a ti te pertencem
sem dono nem laços que a ti te condenem
nem grilhos que prendam a dor da distância
mas saibam de sempre a ponte que liga
em margens de frente com fios que atam
as luzes que unem as almas para sempre
Sabes?
Sabes, tu, mãe?
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publicado por Sofá Rouge, às 16:22link do post | comentar
Eu e tu e nós e mais
demais de mais em ais e ais
de tais ou ais e mais que vais
em sais de mais e muito mais
ou ais e ais de apenas ais.
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