27
Jun 12
publicado por Sofá Rouge, às 15:20link do post | comentar

Faz-me tua

faz-me nua

traz-me tua

mas faz-me tua.

Faz-me tua nua

ou nua da tua nua

mas faz-me, faz-me tua

nua

ou apenas tua.


26
Jun 12
publicado por Sofá Rouge, às 11:24link do post | comentar

Todo eu te beijo

todo eu te desejo

nesse teu ar tão inocente

de menina perdida sem gente

todo eu te desejo

todo eu te desbeijo

nos retiros dos beijos colados

que a pouco te vou roubando

para que fique mais espaço

para novos mantos de mim

porque todo eu te beijo

todo eu te desejo.


25
Jun 12
publicado por Sofá Rouge, às 22:35link do post | comentar | ver comentários (1)

Abrem-se as asas e que partem no horizonte?

Rasgam-se nuvens em céus abertos

E abrem-se postais de namorados distantes

E pedem-se desejos de peito cheio

E sopram-se beijos em espirros bastantes

Entre os rasgos de vento que beijam a ponte

Das meigas penas que bailam nos portos.


publicado por Sofá Rouge, às 21:38link do post | comentar

Ele perguntou como se chamavam as flores.

Ela, simplesmente, respondeu:

- Amores.

Ele fitou-a, sem dizer nada. Abriu os olhos e esticou os braços em direcção aos seus ombros delicados. Num abraço demorado sentiu-lhe o bater do coração no seu peito.

- Amores –, disse-lhe baixinho – são todas as flores quando estão perto de ti.


publicado por Sofá Rouge, às 15:28link do post | comentar | ver comentários (3)

Ordena-me a posse do teu gemido

Ou comanda-me as mãos do teu prazer

Mas deixa-te prostrada nesse encanto

Despida de tudo e desse pranto

Sem vestes de agora ou de mofo guardadas

E deixa-te vir no sabor do recanto

Que o beijo descobre sem medo nem canto

Nas pernas rasgadas do teu coração

E no meio calor da tua paixão

Em sufocos de ar e gemidos arfantes

Enquanto sussurro o que a noite levita

Que tu ainda me és para sempre: bonita.


publicado por Sofá Rouge, às 11:55link do post | comentar

Ele chegou e disse assim:

- Rápido, rápido! Pensa!

Eu, de sobrancelhas erguidas pelo espanto, não disse nada.

Ele repetiu:

- Rápido, rápido! Pensa!

Eu, já não espantada, baixei as sobrancelhas e fechei os olhos, dizendo:

-Em quê? Qual é a pressa?

Ele, sem esperar, respondeu:

- Pressa, qual pressa? Não há pressa em pensar! Há urgência em não deixar de pensar.

E eu pensei, pensei, pensei... e já não respondi.


publicado por Sofá Rouge, às 11:23link do post | comentar

Spiting thorns with open mouth

Chewed in black teeth of despair

With garlic breath and numb white tong

Are you standing on that chair

Staring naked at that wide door

Waiting alone just to get dressed

By the wings of my black death.


24
Jun 12
publicado por Sofá Rouge, às 15:56link do post | comentar | ver comentários (1)

Agrilham-se parágrafos secos e duros

às vestes que carregas em archotes

de peste doente em olhos vagos

ou vistas moribundas em horizontes

de fardos pesados e negros de ti

nos passos que largas sem passar

cosidos nos lábios que negros te pintam

de lãs desfiadas de cordeiros carentes

e não te deixam senão ser

os ferros pesados que torcem o ser.


publicado por Sofá Rouge, às 15:45link do post | comentar

Engomo-te a ferro a pele despida

em quentes desvincos de tom claro

nas mangas lavadas de beijos meus

e colarinhos de aromas em tábua rasa

nas voltas e ferro que quente passa

em chamas quentes de pele queimada

nos sopros frios do teu arfar.


23
Jun 12
publicado por Sofá Rouge, às 17:59link do post | comentar

Leva-me em sonhos novos e limpos

ou em velhos deslavados

mas leva-me em viagens de ilusão

nesse teu cheiro doce matinal

e nos dedos dessa mão.


22
Jun 12
publicado por Sofá Rouge, às 15:21link do post | comentar

Descansam as botas de sujas em pó

dos pés que rotos e negros andaram

em vales estéreis de rios sem rio

ou em repousos já gastos de trilhos vazios

na espera da graxa e do brilho de vida

que as torne de novo vividas em vida.


publicado por Sofá Rouge, às 12:53link do post | comentar
Os ciclos são feitos para serem encerrados. É a sua natureza.
Este ciclo não foge à regra, como tal, encerra-se. Não com um adeus, mas com um até breve, mas noutro local.
Quem estiver atento, encontra.
Quem quiser, procura.
Quem não quiser, paciência.

Obrigado a todos pela companhia, pelos comentários e pela força.

Convido-vos a juntarem-se ao novo ciclo, noutro lugar, com a mesma intensidade e com a mesma vontade de partilha.

A.S.
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21
Jun 12
publicado por Sofá Rouge, às 15:34link do post | comentar | ver comentários (1)

Mãos na cintura
que fervem de ser
que apertam, atestam
a força do embalo
do abraço que fica
no meio da vida
de dias perdidos
em horas fugidas
de abraços passados
em imagens vividas
na força de braços
que abraços nos devem
em olhos que esperam
a espera do abraço.


publicado por Sofá Rouge, às 15:16link do post | comentar

Que os meus dedos se passeiem em teu corpo
Leves, suaves, sem que os sintas
Mas que nele não se quedem ledos
Sem sentido ou direcção
Nesse passeio que por ti se faz voar
Sem que sintas cada passo de cada ponta neles
Ou nas bases que se apoiem de algodão doce
Nas curvas da pele que tua se deixa ser
Nos passos que possam os dedos passear
Sem que os sintas como dedos, apenas dedos
Mas mais, muito mais que almofadas doces
E beijos que beijam a cada passo meu.


publicado por Sofá Rouge, às 15:16link do post | comentar

Saltam-te suspiros pelo olhar
Enquanto me esguelhas com um sorriso
E cantam-se-te ais em espirais
De mantos soltos e suaves nesse tempo
Da espera que se entrelacem os olhares
Bem mais juntos que na espera do suspiro
E se engelhem frente a frente em largos beijos
Largando os olhos já mirando senão para dentro.


publicado por Sofá Rouge, às 15:16link do post | comentar | ver comentários (1)

Que de noite se faça escuro

Nesse teu espasmo de coxas duras

Em parelhas de mãos suaves, deslizantes

Desnudas de dó e ávidas de ensejo

Em pontas de dedos suaves, circundantes

Que alternam fáceis, destemidos

Nesses teus gemidos constantes

E nos ais que vais soltando.


publicado por Sofá Rouge, às 15:14link do post | comentar

Eu sou o manto do desespero, sou a alma e voz que te atormenta.
Eu sou o canto que te prende à cama. A voz que não te deixa dormir.
Eu sou o fogo que te consome, som da alma que te foi.
Empresto-te labaredas azuis de feno consumido em arrepiados costumes de pés descalços.
Abraças-me em jeitos frios, desconexos, na ânsia da solidão.
Queres-me só, sem mim. De ti para ti.
Mas eu sou a chama que não te descubro. Retalho de cobertas secas em noites frias.
E ardes em pensamentos de mão queimada.
No desespero de quem chama e não reclama.


publicado por Sofá Rouge, às 15:14link do post | comentar

Sinto a força do trovão
Apunhala-me as costelas. Procura-me no peito o coração. Quer, seguramente, atormentá-lo.
Sei da força que o carrega, do rombo que penetra, da ferida que não fecha.
Sinto a força do trovão. Ouço ao longe o seu chegar.
Não é calmo, nem sorrateiro. Avisa bem alto que vai chegar.
Sinto a força deste trovão, ainda antes da pele queimada.
Sei-o rude, imparável. Que nada se ponha neste caminho. Que nada se quede e o mire nos olhos. Que tudo se espere deste trovejar.
Excepto a paz no seu caminhar.


publicado por Sofá Rouge, às 14:54link do post | comentar

És-me de sempre em cada sopro
A cada brisa revivida
És-me de sempre a cada fôlego
Em cada bafo consumido
És-me para sempre enquanto és
Mesmo não sendo, já te és
Como sempre, de sempre, em mim do que te és
Ou apenas és o que és em mim como já foste
A eterna saudade de beijos frescos
Em sorrisos abertos de braços rasgados
Em voltas de abraços já dados no peito
Ou ainda os que faltam que fechem os corpos
Em abraços sentidos de olhos fechados
Enquanto me és, apenas és e eu sou
Assim, apenas assim, enquanto me és.


14
Jun 12
publicado por Sofá Rouge, às 16:43link do post | comentar

A nona carta dos vigésimos caminhos
em amarelos de verde pintados
em virgens de Fá sussurrando
levam na mão o esplendor
do eterno profeta de luz.

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