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Out 12
publicado por Sofá Rouge, às 23:02link do post | comentar | ver comentários (1)

- Pai, está um pássaro na lareira.

- Sim, eu sei.

- Mas pai, está lá outro e não se mexe. Está morto?

- Não... errrr... Está a dormir.

- Mas pai, está de patas para o ar.

- Sim, os pássaros na lareira dormem de patas para o ar.

- Paaaaaaai.


publicado por Sofá Rouge, às 22:53link do post | comentar | ver comentários (2)

- Pai, quando chegamos?

- Amanhã.

- Pai, já chegamos?

- ...

- Pai, quando chegamos?

- Para a semana.

- Paaaaai! Vá lá, quando chegamos?

- ....

- Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos?

- Chegamos.

- Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos? Pái, já chegamos?

...

- Paaaaaaaai. Já chegamos tão depressa?


publicado por Sofá Rouge, às 22:46link do post | comentar | ver comentários (2)

- Pai, queres jogar ao jenga?

- Não sei jogar.

- Não faz mal, eu ensino-te.

- OK. Eu fico a ver.

- Não, jogas que eu explico-te.

...

- Pai, é verdade que o Pai Natal não existe?

- É. Foi preso por atentado ao pudor e agora não há mais prendas nos próximos 3000 anos.

- Paaaaaai, estás a fazer batota!


publicado por Sofá Rouge, às 22:31link do post | comentar | ver comentários (2)

- Pai, pai olha, tenho um dente a abanar!

- Boa! Agora atamos um cordel ao dente e prendemos à porta. Depois fechamos a porta com muita força.

- Mas pai, isso dói!

- Dói nada. Só ficas as esguichar sangue durante um bocado e depois passa.

- Paaaaaaai.


publicado por Sofá Rouge, às 21:57link do post | comentar

Nada de interessante, mesmo.

Vieram enganados, se procuravam coisas giras.

 


publicado por Sofá Rouge, às 16:55link do post | comentar | ver comentários (1)

- I see dead people!

- Yeah... They don’t usually bury breathing people at funerals.


publicado por Sofá Rouge, às 16:34link do post | comentar | ver comentários (1)

- Ainda levas cuisto na tola!

- Hã?? Com isto, queres tu dizer.

- Cuisso nao, cuisto!


publicado por Sofá Rouge, às 16:23link do post | comentar | ver comentários (1)

- Tu és bipolar, só pode.

- Pois sou. Tanto gosto de ti de Norte para Sul, como de Sul para Norte.


publicado por Sofá Rouge, às 16:13link do post | comentar | ver comentários (1)

- Dói-me a barriga dos dentes.

- O quê? Barriga do quê?

- Dos dentes!

- Estúpido.

- Desdentado.


publicado por Sofá Rouge, às 16:04link do post | comentar | ver comentários (1)

São drunfos, senhor, são drunfos.

 

E as rosas transformaram-se, ao deixar cair o avental.


publicado por Sofá Rouge, às 15:47link do post | comentar | ver comentários (2)

Berrava e esbracejava de peito cheio, o senhor Plácido, abanando a bengala, forçando vendavais.

- E pode, vossa excelência, compreender o incompreensível? Pode? Nunca!

Virava-se e caminhava mais dois passos. Voltava-se e dava mais outros de seguida.

- Obviamente que não! Quem poderia? Só uma alma estupida e imberbe é que algum dia poderia achar isto perfeitamente passível de perfeita harmonia!

Pousava a bengala em intervalos de passos e nas voltas de calcanhar, entre os pares dos passos na calçada.

- Vocês não percebem nada! Não vêem nada! São uns cegos de alma! Só gostam é de copos e jogar à sueca!

Os transeuntes encolhiam a cabeça nos ombros, a medo, fugindo o olhar. Não seria para eles este discurso. Seria para quem o mirasse nos olhos.

Uma criança de ranho na boca aproxima-se, de bola de capão debaixo do braço.

- Tem horas, senhor Plácido?

Esbugalhando-se-lhe o olhar no ranho que pende, de hirto bigode penteado na madrugada, responde:

- Ah! Alguém inteligente nesta terra! - disse, com o olho direito semicerrado. - São horas de ires à merda!

E o puto foi, dando chutos na bola.


publicado por Sofá Rouge, às 15:31link do post | comentar | ver comentários (2)

Ele tinha um sapato roto na sola do pé direito.

- Dás-me boleia?

Ela gostava de gelado de framboesa, mas não comia por causa do aparelho nos dentes.

- Só se me deres uma bola.

 

E aqui não chovia, era dia e não havia Lua.


publicado por Sofá Rouge, às 15:20link do post | comentar | ver comentários (3)

Emborrachas-te a alma de negras vielas

e de pseudo imagens eléctricas de bagaço

nos goles que não dás no tinto de vinho

ou nos gargalos que não enfias às goelas

de embriaguez sórdida e comichão seca

no tufo que brotas do peito aberto

entre mangas rasgadas da roupa despida

e manchas em nódoa de tinto cuspido.

 


publicado por Sofá Rouge, às 14:55link do post | comentar | ver comentários (1)

Ela tinha óculos.

Ele tinha a Lua atrás de si.

Tinham, ambos, o rabo tridimensionalmente sentado no banco do jardim.

E chovia.

 


publicado por Sofá Rouge, às 13:21link do post | comentar | ver comentários (2)

Bagaço na voz que destilas poemas

ao riso fininho que deitas sem penas

e vinho que bebes em copos vazios

aos poucos refrescam caminhos lá idos

e bebem-se dias em juras tremendas

de brindes aos tempos que nunca vivemos

enquanto se faz desta noite outro dia

em copos já cheios de pura agonia.

 


publicado por Sofá Rouge, às 13:05link do post | comentar

Mafarrica encarnada tens espeto na asa

da ponta da cauda que te esfrega na alma

e baila que salta e abana ao seu dono

que é dor dos humanos que no mal se viajam

e espetas a lança em caminhos perfeitos

aos olhos dos puros que de mal não ensejam

na busca do ouro e dos prazeres caminhos

que ajudas na lama com lança capeta

e abanas a cauda de seta bem leda.

 


publicado por Sofá Rouge, às 12:45link do post | comentar | ver comentários (3)

Era um velho tão velho que nascera de novo

vieram-lhe lágrimas e fraldas de nojo

mamaram-se peitos e bolsava a seguir

mijava nas fraldas sem nunca pedir.

 

Era um velho tão velho que enrugado parecia

da testa ao joelho já tudo franzia

e rosava da pele em suaves pinotes

que logo enrugava quando mais chorava

defecando sem tempo os fortes archotes

que o mundo a seu lado girando, parava.

 

Era um velho tão velho que velho ficou

e o mundo mais velho que velho andou

e o puto mijava na face da estrada

à imagem do velho que muito berrava

nas fraldas chorava e para fora cagava.

 


publicado por Sofá Rouge, às 12:39link do post | comentar | ver comentários (4)

Pigalhão,

cabeça de cão

chafurda no chão

na casca de melão.

 

Pigalhinho,

não bebas o vinho

estica o rabinho

e afia o dentinho.

 

Lava-me, porco.

Diz que o pó suja os carros.


publicado por Sofá Rouge, às 12:07link do post | comentar

- Sabes o que penso? Não?! É porque não me escutas...

- Mas ainda são horas de dormir...


publicado por Sofá Rouge, às 11:51link do post | comentar | ver comentários (1)

Façam-se silêncios mudos em bocas podres

fechadas, quebradas de agonias feias e tristes

em espaços possuídos de lajes azuis

queimando os cedros secos ressequidos

dos cemitérios cheios de campas vazias

e cruzes brancas tombadas ao vento

alinhadas em palmos certeiros do tempo

que bailam quietas no beijo do vento.

 


publicado por Sofá Rouge, às 11:37link do post | comentar

Para fazerem download do e-book "Perfeitos encaixes", aqui:


Download

 


publicado por Sofá Rouge, às 10:50link do post | comentar | ver comentários (1)

Hoje é dia 1 de Outubro, mas só consigo trautear a música dos Xutos e Pontapés:

 

É amanha dia 1º de Agosto
E tudo em mim é um fogo posto
Sacola ás costas, cantante na mão
Enterro os pés no calor do chão
É tanto o sol pelo caminho
Que vendo um, não me sinto sózinho
Todos os anos, em praias diferentes
Se buscam corpos sedosos e quentes

 

Vídeo youtube


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