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Out 12
publicado por Sofá Rouge, às 17:53link do post | comentar | ver comentários (3)

Traz a renda faz a senda abraça em mim a tua venda, faz a mesa põe a faca ajeita fresco o copo de água, vem depressa traz a pressa de chegar, mostra o peito faz o jeito e dá-me a mim o teu olhar.

Senta o busto no meu rosto e dá decote ao teu bom corpo.

Vem comigo traz destino e dança o ventre devagar.

Senta a alma

que desalma

e mostra o sopro do teu brilhar.

 


publicado por Sofá Rouge, às 16:40link do post | comentar | ver comentários (1)

O teu peito é meu

não é teu.

O meu peito é teu

não é meu.

O nosso corpo é.

Nosso.

Apenas isso.

 


publicado por Sofá Rouge, às 11:38link do post | comentar | ver comentários (1)

Não havia dia que não doesse alguma coisa ao senhor Plácido. Ou melhor, doer doer, não seria bem a verdade. Mas queixar, tinha sempre de se queixar. Era daqueles que lhe doía sempre tudo, mesmo não sendo nada. Se não era a espondilose, era o dedo do pé. Se não eram as unhas encravadas, seriam as urticárias nas mãos. Se não fossem as artroses, seriam as cataratas. Tudo doía ou estava mal acabado. Queixumes e queixumes acompanhavam, para todo o lado, a bengala do senhor Plácido.

Olá senhor Plácido, está melhor das costas, perguntou a dona da padaria.

Bom dia Dona Arminda. Ah, nem me fale... Ontem não preguei olho, agarrado aos costados, disse o senhor Plácido.

Vai um biju, perguntou a Dona Arminda.

Sim, mas que não tenha muito sal, por causa da tensão, respondeu o senhor Plácido.

Encoste a bengala ao balcão que eu faço-lhe uma massagem nos pés, disse a Dona Arminda. Faço milagres com estas mãos!

Bem sei, bem sei, disse o senhor Plácido. Os pães são divinais e as broas, uma delícia.

Vê como tenho razão, disse a Dona Arminda.

Besunte lá a manteiga nas costas a ver se o miolo coze crocante, disse o senhor Plácido.

Já leu as notícias de hoje, senhor Plácido, perguntou a Dona Arminda.

Ainda não tive oportunidade. Sabe que os olhos já não são os mesmos... Agora pergunto pelas novidades ao António do talho. Ele sabe tudo, disse o senhor Plácido.

Pois sabe. É um cusco, é o que é, disse a Dona Arminda.

É, de facto é. Qualquer dia privatizam-no, disse o senhor Plácido.

Há que comprar pãozinho, senhor Plácido, há que comprar pãozinho, disse a Dona Arminda.


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