31
Dez 12
publicado por Sofá Rouge, às 18:08link do post | comentar

Este ano foi um ano particular. Não sei se foi mais ou menos difícil, mais ou menos complicado, mais ou menos estranho. Foi mais um ano. Passou e acaba hoje, neste último dia do mês de Dezembro. Para mim, que não sou particular fã de passagens de ano e brindes ao que termina, é importante, não desejar boas entradas e feliz ano e por aí fora, mas antes fazer balanços. Uma pessoa amiga, das do coração, dizia aqui há tempos que estava na altura de se fazerem balanços. Nunca foi tão presente, como hoje, em mim essa necessidade. É efectivamente tempo de se fazerem balanços, ver ganhos e perdas, melhorias e afinações.

2012 foi um ano particularmente interessante para mim. Escrevi, reescrevi, escrevi mais e mais. Saíram dois livros meus, mais uma participação numa colectânea de autores contemporâneos. Desses, um dele foi um romance, "branco", escrito entre Fevereiro e Março deste ano, acabou por ser lançado muito mais tarde: 8 de Novembro (um ano, um mês e um dia depois de ter lançado o “Demências – poemas ou algo parecido”, que foi o meu primeiro livro de poesia). Todo o projecto me entusiasmou desde o início. Foi fabulosa a viagem de concepção, construção e dar à luz. Encaro-o como um projecto único, em que o livro deixa de ser apenas um livro, para ser algo mais. Algo estético, algo transcendente, algo de dentro. Um objecto como um todo, em que todos os condicionalismos que o compõem fazem a diferença, tornando-o especial. Desde a capa, à escolha das imagens que acompanham alguns poemas, ao cuidado na escolha do tipo de letra e paginação, ao título e imagem visual a criar... É para mim um orgulho ter feito parte desta equipa de construção. Eu só escrevi a estória...

Este ano foi, também, um ano de conquistas e reconquistas. Conheci pessoas extraordinárias, algumas mesmo fora de série, reaproximei-me de pessoas que me são queridas e únicas, solidifiquei amizades, revi amizades de há muitos anos, afastei quem devia ser afastado, amei, gritei, ri, sorri, fiz asneiras, aprendi e morri, sonhei e parti! E voltei. Voltei sempre. Ao eu, ao meu eu.

Foi sem dúvida um ano de projectos. Se tivesse de lhe dar um nome, sem dúvida, para mim, seria o “ano do sonho”. O sonho, porque nem todos os sonhos são só cor-de-rosa, também podem fazer sofrer, mas não chegam nunca a ser pesadelos. No pesadelo não cabe o sonho, mas no sonho já pode caber um bocadinho de pesadelo. Eu construí sonhos, os meus sonhos. Solidifiquei outros, também meus. Projectei imaginários reais, outros nem tanto, lutei, batalhei, ganhei e perdi. Mas fui à luta. E já me sinto insatisfatoriamente feliz (sim, eu sei que sou um eterno insatisfeito). Se fiz tudo o que queria? Provavelmente não. Mas, que importa? Fiz muito do que gostaria, fiz mais do que imaginava, fiz muito mais do que supunha.

Além disso, foi o ano em que deixei de fumar. Venha 2013, que eu não lhe tiro a chapéu, até porque é já amanhã, e eu espero amanhã estar aqui, ou ali, ou aí, à espera do outro amanhã, em muitos mais amanhãs.

Até amanhã.

Alberto Silva


publicado por Sofá Rouge, às 12:09link do post | comentar
No fio daquela navalha, passeiam-se horizontes
Descobrem-se tormentos
Ficam-se eternos dias presos em ti.

No fio daquela navalha, correm rios de mim
Em desenhos moribundos
De margens submersas em teu sabor.

No fio daquela navalha,
Ah, no fio daquela navalha...
Só resta o prumo do meu amor
O cunho do seu sabor,
O abraço no seu calor.

No fio daquela navalha,
Afiamo-nos num só.

publicado por Sofá Rouge, às 05:42link do post | comentar
Será?
Quem?
Ela?
Ela quem?
Ela.
Quem?
Será?

publicado por Sofá Rouge, às 03:52link do post | comentar

Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não?


publicado por Sofá Rouge, às 03:46link do post | comentar
Era eu, só eu, que por ali andava. Levava comigo um jornal velho, antigo, de boas notícias, e um par de botas com solas usadas e gastas pelo tempo. Na algibeira repousava a imagem de um relógio vendido ao desbarato, para comprar sopa quente. Era lindo, de bolso, com uma corrente trabalhada. De família. Era lindo, era. A barba e o tabaco eram parentes próximos do meu corpo. Ela amarela e comichosa, ele já não o via há que tempos. Nem o cheiro.
Era eu e as botas de solas gastas. Vendo mais de perto, o buraco até era generoso. Atravessava a borracha até ao dedo grande do pé direito.
Eu, só eu, e as botas rotas e gastas, e o jornal lido e relido, antigo, e a imagem de um relógio de bolso, banhado a ouro, vendido por latão, para comer uma sopa quente. Requentada, vá. E de sopa, só o nome. Chamar-lhe-ia, de bom grado, um chá de couves, numa tigela pouco maior que uma caneca de chá de ervas.
Era eu, só eu. Só eu e os meus pulsos acabados de cortar.
Até eu me abandonava, agora.
Já não era eu, só eu, que nem eu ali quedava.

publicado por Sofá Rouge, às 03:32link do post | comentar
Sei lá que homens fracos sejam mais
nas buscas do pranto, do encanto.
Sei lá que eternos animais
são mais homens que os demais.

Sei lá!
Sei lá!

Sei lá que horas passam demais
no tempo que resta ou não resta
sei lá mais! Sei lá!

Sei lá!

Sei que não posso mais.

Sei lá se não posso mais!

Sei lá
SEI LÁ!

E nem quero saber mais!
Eu sei lá!

publicado por Sofá Rouge, às 03:25link do post | comentar
Sou eu e tu, aqui.
Aqui.
AQUI.

Onde mais senão aqui?!
Aqui.

Não vês, não vejo?! Não há aqui.
Não?!

Nem aí, nem ali.

AQUI.

Onde, se não há lado nenhum. Há nenhures.

Seremos em nenhures, nada. Com tudo a que o nada tem direito.

publicado por Sofá Rouge, às 02:55link do post | comentar
Nada se queda em meu redor. Nada. Está tudo arrumado. Tudo menos eu. Prateleiras bem postas de pensamentos insólitos, cadeiras e esteiras de vergas quebradas. Toalheiros vazios, emolduram as paredes. Tudo imaculadamente arrumado. Limpo.

Menos eu.

Aos passado, abraçam-se futuros incertos, longínquos. Amanhãs de amanhãs. Refazem-se estórias na história, em olhares distantes de presenças imensas.

Dois corpos. Conhecidos. Amigos. Talvez amantes.
Passos largos afastam-nos vagarosamente. A despedida foi sem voz. Meia volta em compasso de cabeça descida. Um ficou a olhar, o outro lentamente a caminhar ao horizonte. Um breve suspiro detém a passada, virando-a. Fitam-se olhares. Um e outro.

Há olhares que não permitem mais palavras. Criminosas seriam. Antes caladas, as vozes. Deixem-se falar as almas que se abraçam. Cantem assobios de cor em profecias eternas de beijos suaves. Que cantem. Que cantem, baixinho... Num sussurro, num suspiro.
Há olhares que falam conversas imensas, palavras eternas. E mesmo assim fica tanto por dizer...

Como dizer sem palavras, o que resta ao olhar?
Num abraço?
Num beijo?
Num suspiro?

Eternamente...

Tudo fica arrumado. Menos eu. Nunca eu.
Ficam suportes vazios, pendidos, perdidos. Quedam aromas doces em prantos secos. Restam gestos vincados na pele arranhada.
E eu?
Que resto eu?

Falto-me eu ao meu ser eu.
Dói.
Dói-me a alma de não ser eu. Só eu. Sempre, sempre eu.
Aqui, arrumado de mim - eu.

29
Dez 12
publicado por Sofá Rouge, às 18:33link do post | comentar

Quero-te. Apeteces-me.

Tu.


publicado por Sofá Rouge, às 18:28link do post | comentar

Cruza-me  a haste seca do teu olhar

em contornos bravos do meu andar

que fujo de ti, da cruz, do pus

do que foste em mim, tudo de mim.

Quero respirar, andar, cantar!

Não de ti.

Nunca mais de ti.


publicado por Sofá Rouge, às 18:01link do post | comentar

Quando julguei que estavas morto, revi-te uma última vez. Eras tu, ali, junto a mim. Provavelmente sentiste a minha solidão, de viver sem ti. Viver não, existir. Vieste visitar-me uma última vez. Para sempre, amor. Para sempre.


publicado por Sofá Rouge, às 17:12link do post | comentar

Já não consigo dizer, merda!

Nem isso nem outra coisa qualquer, que não seja decente.

Existo no estábulo invisível do firmamento. Acordo as estrelas de madrugada. Sugo-lhes a alma com um suspiro. Deixo-me ficar até ser tarde. E espero por ti.

 

Merda.

 

Sinto-me visível ao teu olhar. Encolho o corpo, em feto posto deitado, escondido. Vês-me, na mesma, assim.

Vês-me.

Acordo as estrelas com assobios. Dormem que dormem sozinhas astutas.

Deixo-me ficar até tarde.

Já não espero por ti.

 

Estás aqui.


publicado por Sofá Rouge, às 16:46link do post | comentar

Fosse eu eterno, serias tu eterna em mim.

Não sou.

Não és.

 

Fosse eu horizonte no raiar do teu brilhar, ao pôr do dia.

Não sou.

Não és.

 

Fosse eu tu e tu outra de ti, seriamos um nós num só tu. E eu.

Não sou.

Não és.

 

Fosse eu outro e tu aurora, em dias claros de harmonia.

Não sou.

Não és.

 

Não fosse eu quem sou e tu assim, em nossa eterna e deliciosa loucura, em suaves encostos de peito na pele.

Mas sou.

E tu também.

 

Que eternos dias nos beijem o ar, e suguem do beijo o nosso arfar.

O meu.

O teu.


publicado por Sofá Rouge, às 16:34link do post | comentar

Hoje liguei o sinal sonoro, coloquei um sinal à porta e saí à procura do Amor.

Tu não estavas em casa.


publicado por Sofá Rouge, às 16:22link do post | comentar

Sei que as estrelas não falam connosco. Têm ciúmes. Brilham menos, agora! Não se mostram, escondem-se de todos. Fogem, fogem… Têm ciúmes. Devem ter carvão! Carvão não, negrume mesmo. Apagaram as fogueiras e incensos. Não falam connosco. Não falam mais. Vêem-se amuadas, chateadas. Têm ciúmes. Não gostam do nosso amor, as estrelas.


publicado por Sofá Rouge, às 15:48link do post | comentar | ver comentários (1)

Não se trata de sermos nós aqui ou ali, ou de estarmos a sós no nosso nós. Nem se trata do tempo que temos ou não temos, sei lá. Não se trata do coiso sem nome, ou dos que têm nome mas ninguém sabe. Não se trata de nada e de tudo. Sei lá.

Sei que te ouço na música que entra. Vem de mansinho, às cordas de viola a imitar baixo. Roucas viagens percorrem o ar, até mim. Embalam-me.

 

Sister Ray, sister ray. Hey, sister Ray.

 

Quem pode pedir que se abram olhos ao firmamento? Pedem-se cerrados, introspectos. Que saboreiem, que vivam, que fluam. São assim os olhos teus, que imagino meus. Assim, fechados em mim. A olharem para mim, de mim. De dentro de mim.

 

Hey, sister Ray… sister Ray, sister Ray.

 

Sussurra-me.

Beija-me daí.

 

Não se trata de saber onde param as estrelas. Nem saber de que cor é o céu, afinal. Não se trata de saber acordes de música, nem saber assobiar sem os dedos na boca.

 

Ouve-se piano, no final do embalo. Acordes marcantes, de final de caminho.


Sister Ray…

 

Não sei olhar o céu. Não sei sequer do que se trata. Nada sei. Descolo de mim, de mim…

Não se trata de ti nem de mim.

Não se trata.

Não tem cura.

Não temos salvação.

Pura condição de malvadez inquieta.

Perfeita.

 

Sem cura.

Eternamente nós.


publicado por Sofá Rouge, às 15:38link do post | comentar

Respira-me.

 

Respira-me.

 

Respira-me.

 

Respira.

 

Me.

 

 

Num beijo.


publicado por Sofá Rouge, às 02:19link do post | comentar | ver comentários (1)

Tenho suspiros por ti, sabias?

E tremores.

E desejo.

Sim, desejo...

E algo mais, até porque gosto de ti.

Será isso: gostar de gostar de ti? E gostar ainda mais de ti, por ti?

E tremo e suspiro.


publicado por Sofá Rouge, às 01:55link do post | comentar

Suspiram-se os teus olhos aos meus

no momento que beijos meus tornaram teus

no instante que abraços nossos fitaram Deus

no breve momento em que tudo nos disse adeus

 

e ficamos só nós

e o nosso beijo

nos intervalos do nosso olhar

nos peitos nus do nosso amar.


publicado por Sofá Rouge, às 01:50link do post | comentar | ver comentários (1)

Dás-me vontade de escrever.

Gosto disso. Dessa vontade!

Gosto!

 

Guardo o teu beijo num abraço de pensamento.

Eternamente nosso.

Como quem não se desfaz nunca de retratos antigos, preciosos, de família.

 

És-me num beijo, num abraço.

És-me no peito, num suspiro.

E eu gosto de ti.

 

Dás-me vontade de escrever.

 


publicado por Sofá Rouge, às 00:08link do post | comentar

A distância é uma coisa inventada pelo espaço, disse o tempo enquanto se encurtava à luz da dimensão.


publicado por Sofá Rouge, às 00:02link do post | comentar

Eu sei que sim. Foi ele que me disse. Eu sei. As horas não param, não esperam, não aguardam. Andam, caminham, ao sabor do tempo.

 

Sabes?

 

Sei. Foi ele que me disse.

 

E que mais te disse?

 

Que eram horas.

 

De quê?

 

De ser tempo.


28
Dez 12
publicado por Sofá Rouge, às 23:58link do post | comentar

Sei de um sítio.

Mas é só meu.


publicado por Sofá Rouge, às 23:23link do post | comentar

I’m getting trips

I’m getting fixed

I’m having trouble

Just to keep

Just to keep

This troubled fix

I’m having trouble

Justo to keep

This beloved kiss


publicado por Sofá Rouge, às 22:59link do post | comentar

O amor? O amor serve para acordares um pouquinho mais despenteado de manhã.


publicado por Sofá Rouge, às 22:28link do post | comentar

Onde começam e acabam os nossos beijos?

Sabes? Sentes?

São teus e meus, nossos? São infinitos em nós?

Deixam de ser nossos, por serem eternos?

Quem os apanhará?

Haverá mais quem beije assim?

Só se encontrar os beijos nossos.

E, assim, serão para sempre.


publicado por Sofá Rouge, às 22:08link do post | comentar | ver comentários (1)

Raios.

Sinto frio.

Gela-me a pele.

Enverniza-me a pele nas tuas unhas.

Sim?

Embriaga-me no teu aroma.

Fazes isso?

Num suspiro teu, dormente?

 

 


publicado por Sofá Rouge, às 21:46link do post | comentar

Trinca-me, extática, a alma que te aguarda!

Trinca, morde, mastiga!!!

Remói,

destrói

reconstrói!

Trinca, brinca e mastiga.

Mas vem.

 


publicado por Sofá Rouge, às 21:00link do post | comentar

Como se chama o amor quando ainda não se sabe o que é amor?

Amor?

Diz-me, amor!

Como te chamo, amor?

Amor?

Como te chamo, amor, quando me és num abraço, num beijo, num espaço?

Amor, meu amor?

Apenas amor, apenas meu? Amor?

Como, amor?

Como?

Amor?

 

Com um beijo?

 

 


publicado por Sofá Rouge, às 20:33link do post | comentar

Beija-me como se não houvesse amanhã.

Amanhã, não.

Como se não houvesse depois.

Até amanhã ainda falta tanto tempo... e depois?

Depois é eterno, infinito.

Beija-me como se não houvesse infinito.

Como se o nosso beijo fosse apenas o que existe.


publicado por Sofá Rouge, às 20:29link do post | comentar

Longos os dias que fazem a tua espera. São grandes, enormes. Daqueles que nunca terminam.
Duram eternos, os passos teus, nos beijos meus, em abraços nossos.
São nossos.
Tão nossos...

E vejo-te em pele despida. Nua. Desabitada de mim.

Estás? Onde estás? Vejo-te, aqui. Em mim. Em cima de mim.
Estás? Onde estás?
Aqui?

Vejo-te o sopro do beijo que cravaste no meu pescoço.
Abraçam-me, ainda, as pernas que cobrem a cintura.
Beijas-me, sempre, nas manhãs que entram pela cortina semi-aberta.

E somos espaço no tempo que é nosso.
Em beijos que sabíamos ofegantes.
Em jeitos que vivíamos bem distantes.
Em abraços que dormiram como nós:
eternamente juntos.




publicado por Sofá Rouge, às 16:47link do post | comentar

Vou ver o que se passa com o amor. Anda distraído e eu aqui à espera de borboletas. Senti-as. Oh se senti.
Está Sol, não chove, mas faz um frio de rachar. E tu, onde andas que não te vejo? Sinto-te. em mim. Sim, em mim.
E o beijo? Ah! o beijo...
Vou ver o que se passa com o amor... Anda distraído. Sim, tenho a certeza que anda distraído.
Mas eu não. Vou procurá-lo a ver onde pára. Deve estar perdido: de amor.



11
Dez 12
publicado por Sofá Rouge, às 16:31link do post | comentar | ver comentários (1)

- Vais passar o ano comigo?

- Vou, claro!

- Onde?

- Nus.

- Tem piscina, o sítio para onde vou.


publicado por Sofá Rouge, às 15:40link do post | comentar | ver comentários (2)

Como se escreve um suspiro?


publicado por Sofá Rouge, às 14:52link do post | comentar | ver comentários (1)

... mas não tragas baton. Detesto o sabor, disse ele.

Nem vou comentar. Não uso baton, disse ela.

Óptimo, disse ele. Eu sabia que havia algo que me fazia amar-te.

É um bom motivo para se amar alguém, sem dúvida, disse ela incrédula.

O motivo é meu, não tens nada a ver com isso, disse ele.

E amaram-se mais um bocado, digo eu.


05
Dez 12
publicado por Sofá Rouge, às 17:26link do post | comentar | ver comentários (1)

Se te tivesse visto há vinte anos, tinha-te raptado até hoje e mais além. Tinha pegado em ti e fugido pelo futuro fora. De passos dados e mãos entrelaçadas ao vento. Abraçava-te de peito feito em mais vinte anos de destino, para, depois, olhar-te e dizer: Amor, quero-te por mais vinte e depois outros vinte, até sermos infinito de nós.





04
Dez 12
publicado por Sofá Rouge, às 12:31link do post | comentar | ver comentários (2)

Aperta-me a excitação no peito

No par, no seio, no leito

Aperta-me a mão ao teu jeito

Ao beijo que sigo a preceito.

Abraça-me o corpo em quentes suspiros

De palavras escritas em pontas de dedos

Em caligrafias desenhadas em tua pele

E beijos que sopro em algodão e mel.

Aperta-me a mão ao teu peito

Ao leito com jeito do seio

Que a dois abraçam no peito

Um olhar doce e um encanto

Da voz que afagada adormece

No beijo que o jeito dá ao teu peito.

 


03
Dez 12
publicado por Sofá Rouge, às 12:04link do post | comentar

Adoro borboletas na tua barriga.

 


publicado por Sofá Rouge, às 11:24link do post | comentar | ver comentários (1)

Este fim-de-semana não deu para fugirmos. Tive coisas para fazer, que me ocuparam grande parte do dia, e depois acabei cansado no sofá. Não foi por esquecimento. Não! Alias, lembrei-me muitas vezes do frio que devias estar a apanhar à beira rio, pela manhã gelada que se fazia sentir. Se aqui estava frio, nem imagino como estaria lá... Espero que tenhas levado agasalho, ou um cachecol, pelo menos. No próximo fugimos e avisamos as pessoas, que é para ninguém saber. Está bem, amor?


publicado por Sofá Rouge, às 10:31link do post | comentar | ver comentários (1)

Ele virou-se para mim e disse: "estás a ficar todo podre! Velho, careca, agora até já tens frieiras! Acordas com abcessos na boca, tens frio em tudo que é articulação. Tens rugas na testa e à volta dos olhos. Não tarda começas a precisar de óculos de leitura... Até já começas a ganhar barriga!"
Não fossem os sete anos de azar, juro que partia a porcaria do espelho em mil pedaços!


 

 



Dezembro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27

30


comentários recentes
Das coisas mais belas que li... De uma simplicidad...
Maravilhoso texto sobre o tempo, um recurso que de...
Gosto da sua escrita... gosto mesmo muito, gosto d...
Não gosto de rótulos nem de catalogar as coisas......
Gosto tanto da forma como expõe ideias, gosto da m...
Posts mais comentados
43 comentários
39 comentários
18 comentários
13 comentários
11 comentários
Donativos
subscrever feeds