30
Jan 13
publicado por Sofá Rouge, às 14:58link do post | comentar | ver comentários (1)

Gosto do sabor do teu beijo quando o imagino. É-me doce e meigo. Preenche-me a boca, não deixando espaço para que o ar lhe toque. Todo o teu beijo me suga e aspira, num vendaval de ar que não há, nem rodopia: não existe. Beijamos o ar que nos ventosa. É nosso. Só nosso. É assim, que gosto do teu beijo, nosso beijo: Sem ar. Nosso. Mesmo que seja sonhado.

 

 


publicado por Sofá Rouge, às 11:59link do post | comentar | ver comentários (1)

Havia um abraço que soltava suspiros. Fortes eram, que abanavam o próprio vento. Metiam-lhe medo. Bufavam, bufavam que muito suspiravam, os suspiros daquele abraço. Mas era só um. Apenas um, aquele abraço. Solitariamente único. Podia ser feliz assim, esse abraço só, não sentir falta do que não conhecia – porque, efectivamente, não conhecia mais nada. E mesmo assim, sentia falta de algo. Sentia um vazio no mais íntimo do seu abraço. Mas como, se nada mais sabia, ou conhecia? Como?! Como seria possível sentir falta de algo que nem sabia existir? A verdade é que sentia… E sentia uma solidão enorme, no intervalo de cada suspiro de fazer tremer a Terra. Só não sabia de quê… Apenas sabia, com a certeza da força do seu suspiro! E que suspiro!

 

Talvez fosse a saudade de cada suspiro que deixava partir de si. Sim, seria isso certamente. Só podia, certo?

 

Havia, esse abraço, no intervalo de cada suspiro que libertava. Abraço sem dono, sem par ou retorno. Mas havia o abraço, que, por muito desemparelhado, existia, nas pausas dos suspiros imensos e vigorosos. Faziam tremer o céu e a terra, brandiam vendavais, e assustavam o vento…

 

Havia um abraço, aquele abraço, que não abraçava, e suspirava. Havia. Mas não apertava.

 

 


29
Jan 13
publicado por Sofá Rouge, às 17:12link do post | comentar

Apetecia-me falar, não tendo de dizer absolutamente nada. Talvez seja essa a linguagem dos abraços.


publicado por Sofá Rouge, às 11:35link do post | comentar

Julgamo-nos ratos, entregues ao esgoto, em nauseabundos caminhos carregados de vidas mal-vividas. Que somos, além de ratos, de pessonhentos desdéns, mal-cuspidos ou escarrados?

Vidas?

Beijos?

Suspiros?!

Nadas...


28
Jan 13
publicado por Sofá Rouge, às 22:12link do post | comentar

És-me pele por baixo da pele. És a pele que fica se a pele que está cair. Estás-me próxima da alma, sem que a toques ou envolvas. És pele. Só pele por baixo da pele. Não tens toque de alma, nem sopro de peito, nem olhos penetrantes. És pele. A que me sustém e segura. Só... que não caia de teu amparo, de pele real. Só. És-me tudo nessa pele.


publicado por Sofá Rouge, às 13:52link do post | comentar

Fosse uma asa que o meu corpo prendesse ao teu e seria, eu próprio, corpo teu. 
Seria tu, num intervalo de penas e manto coberto, encoberto. 
Seriamos nós em voos desertos de sonhos despertos. Nós, de penas ligadas, no corpo que nosso desejos susteve.
Nós entrelaçados de nós, em novelos de lágrimas por respirar. Em peitos de asas à inveja de condores. 
Seria eu num tu e eu.
Seriamos nós. 
Apenas nós. 
Num sonho alado de nós.


publicado por Sofá Rouge, às 13:05link do post | comentar

Só aqui. Assim. Só. Aqui.

Sei que sim.

Só.

Como quem está.

Aqui. Só.

E depois?

Não, não sei...

Não te vejo. Não te vejo. Não.

Aqui.

Sabes?

Assustas-me. Dóis-me.

Aí. Aqui. Em mim.

E eu não sei... não sei... tudo parece diferente.

Aqui.

Só aqui.

Só.


27
Jan 13
publicado por Sofá Rouge, às 16:40link do post | comentar

Não posso senão querer.
Só querer. Não crer.


publicado por Sofá Rouge, às 11:29link do post | comentar

Sou tudo e não sou nada
És tu tudo, não és nada.

Sou o mundo num segundo
És primeiro, sou segundo.

No canto, no peito do mundo 
No tempo, no jeito, no fundo
És tu tudo mais profundo 
No vento, maré ou defunto?
Do mundo primeiro ao segundo
És primeiro, sou segundo
No canto, no peito do mundo.


26
Jan 13
publicado por Sofá Rouge, às 21:18link do post | comentar

Sete vezes fugi, das sete que não devia, às sete portas que bati, em sete batentes de mão, às portas da tua paixão.


publicado por Sofá Rouge, às 18:27link do post | comentar

Ela estava nua, despida, num Inverno rigoroso que lhe batia na pele, em rabanadas de vento fustigador. Não seria adepta de práticas masoquistas, nem teria qualquer prazer de carne em ali estar daquela maneira. Simplesmente estava. Ali. Assim.
Não se recordava de nada, nem de ali ter chegado. Não saberia se tivera sido levada, carregada, amparada. Não conheceria ombros que a tivessem levado. Não recordaria pesadelos de passos sonâmbulos. 
Nada.
Simplesmente ali estava, nua, despida de roupa e de pé firme na neve branca que cobria o caminho.
Nua.
Abria lentamente o olhar ao horizonte. Não pestanejava, nem tiritava de frio. Simplesmente estava. Ali.
Sem frio no corpo nu, de gelo a marcar o caminho.


publicado por Sofá Rouge, às 17:54link do post | comentar

Naquela história havia um velho, pois havia. Era velho, pois era. Tinha história, pois tinha. Oh, se tinha! E tinha estórias, se tinha!
Era uma história, aquela do velho, velha que velha. Pois era.


publicado por Sofá Rouge, às 15:57link do post | comentar

O rebelde romântico fechou-se na casa de banho. Detestava ser exibicionista. Mas era-o. Mesmo apenas na casa de banho.


publicado por Sofá Rouge, às 15:27link do post | comentar

fumavam, fumavam as drogas, em bafos inalados de nasaladas vozes em circulares beatas passeantes. 
fumavam, fumavam as drogas.


publicado por Sofá Rouge, às 15:21link do post | comentar

Queria que amanhã fosse o fim do mundo. Não dos tempos, do mundo.
Para que, no fim do mundo, não houvesse mais espaço para me fugires. Nem tempo. Nem nada.


publicado por Sofá Rouge, às 15:01link do post | comentar

Ela escrevia em partituras, que jamais largavam o dó em piedade. 
Mas não as tinha, nem vivia. 
Queria.


publicado por Sofá Rouge, às 14:09link do post | comentar

que a boca do ventre engula os meus contornos, 
nos encantos teus que possuem o meu toque, 
no beijo do peito teu.


publicado por Sofá Rouge, às 14:02link do post | comentar

Vejo unicornios alados, de patas no ar, que relincham, negros, na berma daquela estrada, que se fecha junto a ti.
Incutes-lhes medo.
Acreditam não existir, os crentes.


publicado por Sofá Rouge, às 13:51link do post | comentar

O problema é sempre o tempo que pensas existir.
Não há mais tempo no tempo. Foi-se, fugiu de mim. Abandonou-se-nos à desgraça do espaço, no tempo sem tempo.
Foi-se, fugiu-me.
Fugiu-te o tempo que pensas existir.
Não há mais tempo.
Nem tempo.


publicado por Sofá Rouge, às 13:38link do post | comentar

O querer que te é. Existe. É. 
Na palma das mãos que suam.
É.
Também meu, na palma da minha mão.
Existe.
É.
Na secura das minhas mãos, enrugadas de ti.


publicado por Sofá Rouge, às 13:14link do post | comentar

Ouvi-te em música alta, de berros e gritos de acústica estereofonia.
Eras tu quem me entrava cabeça dentro.
Tocavas bateria, em pulsares de veias e acordes de violinos acompanhantes.
Ritmavas-me o sangue no corpo.
Existias-me.


21
Jan 13
publicado por Sofá Rouge, às 23:14link do post | comentar

Desafiem-me a alma!
Desafiem-me a alma!

Desafiem-me a alma...

Mas cosam-ma de volta ao peito
que dela vivo junto ao teu.


publicado por Sofá Rouge, às 16:52link do post | comentar

Usa-me na tua pele, para que te aqueça e vista de manto nosso, e o beijo se transforme em algo que não existe. Que apenas é, sem existir, em nós, como parte integrante de um abraço.


publicado por Sofá Rouge, às 13:15link do post | comentar | ver comentários (1)

Fui jantar fora e apaixonei-me por ti. Estavas na sobremesa e a terminar um copo de vinho tinto.

Reflectiam-se, em ti, todas as alegrias do mundo. Todas menos uma: eu. Faltava-te eu.

Mas cheguei ainda a tempo do café.

E fugimos.


publicado por Sofá Rouge, às 13:10link do post | comentar | ver comentários (1)

Consigo mastigar-te em pensamento. És-me carne e sangue e ventre em meu tesouro.

De negro vieste, ao som que cantaste. Vieste. Cantaste.

Partiste.

Fugiste.

 

Retenho-te o sabor em fraca memória!

Em gestos negros de falsos enjeites.

Tu.

Que mastigada te foste em pensamento.


publicado por Sofá Rouge, às 11:42link do post | comentar

Diz que hoje é dia. 
Não acredito. Só vendo o dia no dia. Caso contrário, será apenas outro dia num dia.
Diz que hoje é dia.
Não creio. Dia que é dia, como dizem do dia que é dia, é dia de ser outro dia. Não apenas um dia de dias assim.
Hoje, não é dia.
Eu creio.


20
Jan 13
publicado por Sofá Rouge, às 21:35link do post | comentar

Gosto da droga e do vício de ti. Habituas-me em bafos de necessidade presente, em revirar de olhos viajantes.
Refugias-me em trips suaves na guarda do teu casulo. Tenho-te em mim. Nas veias de mim.
E vício que és, presente. Contente.
Nas veias que vestem o meu suor, de alimento denso, carregado de ti.
Alimenta, vicia, mata, nasce-me. A mim. 
Nas veias do meu vício de ti.


publicado por Sofá Rouge, às 06:49link do post | comentar

O meu espelho fala comigo do passado.


11
Jan 13
publicado por Sofá Rouge, às 21:37link do post | comentar
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