18
Fev 13
publicado por Sofá Rouge, às 18:13link do post | comentar

Não sei se foi da frase, do tema ou do conteúdo, mas a verdade é que tudo mudou. Eu já não sou eu e tu já não és tu. Tudo é tão pouco, agora.


publicado por Sofá Rouge, às 16:31link do post | comentar

De manhã tinha um bilhete sobre a almofada, que não deixava respirar o lençol, do amor que haviam feito toda a noite. Dizia: «gosto de ti, nesse corpo teu» para que, ao acordar já perto da hora de almoço, como habitualmente, pudesse suspirar por outra noite igual.


14
Fev 13
publicado por Sofá Rouge, às 13:31link do post | comentar

Lembras-te do abraço que ficaste de me dar? Pois, podes enviar pelo correio. Mudei de emprego e, não tarda, mudo também de morada. Aliás, mudo de cidade, que vou para longe. Vou fugir-te. Decidi, de uma vez por todas, abandonar a tua espera. Já não te espero, nem te quero. Cansei da espera que não chegava nunca. É cansativo, sabias? Enquanto ias e vinhas no meu pensamento, eu aguardava aqui, quieta, entre pipocas e coca-colas. Engordei aí uns 10 quilos só de pensar no pão com queijo que comia a seguir. Esperei, esperei e tu nada. Nem sinal deste. Ao menos dizias que não vinhas, que eu tinha tirado o prato da mesa. Ficou ali que tempos a apanhar pó. O bife lá ganhou bolor e deitei-o fora. Nem o cão o comeu. Por falar em cão, também fugiu. Foi-se. O estúpido, na volta, ainda foi à tua procura… ou talvez não. Coitado. Já estava mais velho que a sarna que tinha e nem via em condições, da catarata que lhe ofuscava as vistas. Tadinho, deve ter ido morrer longe. Nunca mais o vi. Nem a ele nem ao palerma do teu irmão, que veio cá a casa levantar a televisão, por falta de pagamento. Diz que o senhor Augusto se fartou de esperar pelo dinheiro. Ainda tive de lhe dar de comer. Estava magro. Cá para mim a mulher não sabe cozinhar. Adorou a minha sopa, e bem sabes que sopa não é o meu forte. Agora espero que não me venha cá comer a sopa todos os dias, que não estou para o aturar. A mulher que aprenda e lhe dê atenção. Cá c’os meus botões digo que aquilo é falta de amores por baixo dos lençóis. Mas bem, vou embora. Não tarda mudo de morada, de cidade. Pensando bem, esquece lá o abraço. Deixo aqui a mesa e as cadeiras da sala de jantar, ao pé do sofá em frente à televisão que já não existe. Fica também a carpete do buraco ao canto e o serviço de jantar. Parti o último prato de sobremesa, portanto já só ficas com os de sopa, se cá voltares. Ah! E ficam umas cuecas a secar no varão do cortinado da casa-de-banho, mas é porque já não me servem e, assim como assim, já não uso rendas vermelhas.


11
Fev 13
publicado por Sofá Rouge, às 17:31link do post | comentar

Tenho um pecado por ti. Não para ti, não: por ti. Peco em imagens tuas que não toco, nem cheiro, nem vejo. Não as vejo! Não as sei! Apenas sei que tenho um pecado por ti. Confesso.


publicado por Sofá Rouge, às 16:58link do post | comentar

Não te encostes ao meu ombro, assim, ao de leve. Abraça-o como o cais ao barco que chega e pede abrigo. Deita-te despida na minha pele nua, para que se vistam de nós os nossos seres. Eu e tu, num manto de asilo que aguarda porto seguro.

Não te encostes a mim, assim, devagarinho. Vem depressa, chega-te em força. Apruma-te ao meu ombro em haste de viga feita, ao vento Norte que desdobra as velas. 

Desfraldam-se mastros aos portos deste cais, na vinda do teu peito ao meu enlaço. 

Encosta-te a pele na minha pele, e acende o beijo que tens no lábio à cera que pintas na boca, minha.

Devagarinho. Agora sim, devagarinho. Bem juntinho.


publicado por Sofá Rouge, às 12:56link do post | comentar

Encontrei uma folha em branco que pedia umas linhas. Clamava por palavras, as tuas palavras, que nela escrevesses o teu amor. Serias azul, de caneta de pena. Ou esferográfica… Não! Definitivamente de pena. Terias aparo, molharias a ponta na tinta azul a cada duas ou três palavras e serias gentil. Mostrar-te-ias distinta, leve, suave, precisa como uma pluma que desliza pelo meu corpo de papel nu, à tua espera. Desejei ser folha de papel, em resmas intermináveis de brancura. Sem linhas, nem margens que a limitassem. Desejei que fosses azul-escuro de corrente tingida em gramagem pesada e densa do meu ser. Sou eu, folha branca que te aguarda.

Desenha em mim a força das palavras, para que se tornem nossas e vinquem a folha, minha, branca, imaculada ainda, em contornos eternos de nós. Escreve-me tua, amor meu, nos perfis azuis dessas palavras que em mim cravas eternamente. Faz-me testamento perpétuo do nosso amor. Pinta-me a suavidade das frases enamoradas de nós, em caligrafia fina, de contornos sensuais, como as curvas que nos unirão ao longo dos verbos.

Desenha, amor, desenha-me letras de músicas ou apenas palavras soltas. Rabiscos ou traços largos de imagens que apenas nós reconheceremos. Ocupa-me a folha imaculadamente eterna em tua pena, uma e outra vez, suavemente, como quem beija a Primavera. 

Serei folha, serei gente, terei tinta eternamente. Serás tu e eu aqui, nas palavras soltas do nosso amor, ou frases cravadas de vincos azuis. 

Esboçada me quedo, na distância da pena, ao longe da resma, encimada de ti. Não sou mais branca, nem pura, nem tão pouco perfeita. Sou o que sou agora, pintada, desenhada, rabiscada de ti, em mim, na imperfeição da tinta que me escorre enquanto seca, no texto que teu já não é - nem nunca apenas foi – impresso na nossa folha intercalada de mim em ti, no verbo nosso que, em base pura, se fez azul.

Sou eu, folha branca de tinta azul, que te escora.


10
Fev 13
publicado por Sofá Rouge, às 02:27link do post | comentar

Confesso os meus beijos ao teu pecado, num beijo de novenas piedosas. Rezo em fé ao teu abraço, no pranto que joelhos quebra o terço do nosso afecto.


publicado por Sofá Rouge, às 00:54link do post | comentar

Gosto da tua pele
na minha pele
na minha mao
no meu beijo.

Gosto da tua boca
dos teus lábios
nos meus lábios
no meu beijo.

No meu beijo.
Sempre no meu beijo.

Nosso beijo meu.


07
Fev 13
publicado por Sofá Rouge, às 15:18link do post | comentar

Odeio-te esclerosado amor que não te vivo.


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Gosto tanto da forma como expõe ideias, gosto da m...
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