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Ago 13
publicado por Sofá Rouge, às 11:10link do post | comentar

Havia um areal de gente despida, a que nós os dois, a medo e muito receio, nos juntámos. Estávamos nus, no meio de gente nua. E o medo de sermos vistos, no meio de nada que se visse de novo, era o medo da excitação, o medo da expurgação. Despiríamos do corpo e alma todos os pecados da nossa vida a dois. Seria ali, pela primeira vez de pele nua ao mundo - a um novo mundo - que começaríamos tudo de novo. Naquela praia de gente nua, ficaríamos também nós despidos de nós. Teríamos medo de nos olharmos e descobrirmos a excitação de nos vermos despidos, frente a frente. Estaríamos sem nada que nos tapasse ou cobrisse e olharíamos um para o outro com o calor que nasce nas mais profundas entranhas do desejo. Ficaríamos encavacados, sem saber o que fazer às mãos e descobriríamos que um beijo, no meio da areia deserta de roupa e pudor, traria ainda mais à pele o ardor da vontade latente do nosso desejo. Fugiríamos, vestidos de um sorriso tonto e toalha às costas, até ao carro estacionado no meio de outros dois. Teríamos apenas o tempo para vestir o fato de banho e arrancávamos em direcção ao sul daquela praia. Rumo a lado nenhum. Seria no caminho que a tua boca descobriria que baixando pelo umbigo, os beijinhos excitavam ainda mais uma condução que se pedia atenta. Não seria por isso que pararias. Com cuidado, havias encostado os teus lábios ao sabor da mão que marcava o ritmo. Ias sorrindo ao perceber que entre a estrada e a atenção que me prendia, bailava um corpo no fio de uma navalha que se fazia estremecer, alternando entre a excitação e o tremor de quem perde o controlo, e a necessidade de manter tudo composto. Pararias ainda antes do meu ser, sorrindo e dizendo entre um suspiro que, assim, ficaria para uma próxima vez. Desta, querias que os teus seios fossem tocados, beijados, sentidos, viajados... Que fossemos rapidamente para casa e que os nossos corpos se encontrassem novamente despidos. Já não de nós, mas connosco. Um no outro de nós.


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