08
Out 13
publicado por Sofá Rouge, às 11:15link do post | comentar

Havia no ar um cheiro a mel cortado pelo amargo das amêndoas, que insistia em pairar vagarosamente nos intervalos do meu andar. Pé ante pé, respirava a vida de mão dada contigo. Respirávamos os dois. Pé ante pé, caminhávamos na calçada que nos levaria mais além de nós próprios. Seríamos caminho feito piso seco, nos passos vincados de algodão e mel, o mesmo mel que agora se colava às paredes do meu peito. Quanto mais inspirava, mais o mel namorava as amêndoas, beijava-as demoradamente e bailavam. E tu saboreavas de olhos fechados – de mão ainda colada à minha, como que se o aroma doce e intenso do mel a beijar a amêndoa colasse e fundisse a tua certeza à minha – e caminhavas na certeza do amanhã. Sempre o amanhã, com um travo suave de ternura e malvadez pelas memórias das amêndoas que jamais provariam a tua boca.

 


02
Out 13
publicado por Sofá Rouge, às 14:46link do post | comentar

Vejo tudo com a palma das minhas mãos. São profetas, vêem bem. Vejo o mundo, sinto gente, no manifesto das minhas mãos. E sinto a alma, a tua alma, com a ponta dos meus dedos. Carregam-se, suaves, pelas memórias da tua pele. Lembra-se amena, fresca. Densa e breve, de tom igual às rugas das mãos (as minhas) que a abraçam e desvendam. Eram mistério que de mapa desvendam arrepios em ti. Fecho, depois, os olhos que nada olham e abraço o mundo com as minhas mãos abertas. É assim que elas vivem. E eu vejo e revejo, e vivo e revivo, e persisto e subsisto: de mãos apoiadas na ponta dos meus dedos, em intervalos breves das tuas curvas, do teu corpo desenhado na palma das minhas mãos.

 


publicado por Sofá Rouge, às 12:02link do post | comentar

Há tanto tempo que nada parece

Há tanto tempo que tudo acontece

Na volta do corpo, na volta do beijo

Eras tu quem amava no tempo e no jeito.

Esquece-te em mim, do nada que fui no tudo de mim

Esquece-te, assim, o pouco de mim.

Afoga-me, abraça-me, esquece-me só assim. Assim…

Como quem não percebe o que fomos em mim.

Há um nada no tempo que tudo se esquece

Há tanto nada de nada parecer

Há um nada de nada viver

Eras tu como tudo do nada viver.

 

 

 

 

 


Outubro 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


comentários recentes
Das coisas mais belas que li... De uma simplicidad...
Maravilhoso texto sobre o tempo, um recurso que de...
Gosto da sua escrita... gosto mesmo muito, gosto d...
Não gosto de rótulos nem de catalogar as coisas......
Gosto tanto da forma como expõe ideias, gosto da m...
Posts mais comentados
43 comentários
39 comentários
18 comentários
13 comentários
11 comentários
Donativos
subscrever feeds