07
Nov 13
publicado por Sofá Rouge, às 12:36link do post | comentar

Ardem-me os olhos e tenho umas pontas de cabelo mais rebeldes a pairarem sobre as orelhas. As manhãs são, normalmente, tramadas: dói-me tudo, custa abrir os olhos e o despertador é um martelo que vai, pouco a pouco, perfurando o sono até obrigar-me a mexer o braço, esticá-lo e fazer deslizar o botão para o modo: snooze. Vou de olhos fechados até ao trabalho e, pelo meio, há uma série de coisas que acontecem, que, normalmente, depois não me lembro. Hoje foram as meias: tenho uma de cada nacionalidade. São ambas pretas – só uso meia preta – mas uma é mais comprida que outra e os elásticos também fazem desenhos diferentes. Nada de grave. Pior é esquecer de fechar o fecho das calças, coisa que, ultimamente, até nem tem acontecido. Acho eu. Passam agora aproximadamente 6 horas desde que me levantei e, depois de olhares fugidios e esgares de canto do pessoal que atravessa os corredores, reparo que afinal a camisola preta que tinha vestido por cima da camisa igualmente preta, não é preta, mas sim azul. Numas calças castanhas a fugir para o beige, que namoram com uma camisa preta por baixo de uma camisola azul escura, cobertas por um casaco castanho esverdeado, não ter um sobretudo vermelho alaranjado já é uma sorte. O que vale é que não possuo tal coisa. E fartei-me eu de ver e rever, verificar no corredor, na casa de banho e no quarto, a cor preta da camisola que afinal não era preta. Sinto um pé mais quente que o outro, mas deve ser sugestão minha agora que falo nestas coisas. Há dias assim. Mas já abro os olhos. Ardem-me, mas já estão abertos. Ah, e está tudo bem fechadinho…


06
Nov 13
publicado por Sofá Rouge, às 14:44link do post | comentar

São os violinos que me transportam para longe de mim. Enchem-me a cabeça de cordas que gritam e clamam, em danças desgovernadas, qual casal enamorado num baile de um abraço dado e sonhado. Entornam, despejam, vomitam vozes estridentemente pacificadoras, em alma que atenta na sua paz. São os violinos, tocados de queixo, que queixam ardores, tremores e dores de quem suplica e levita, na melancolia de uma nota vibrada, de uma corda puxada, tocada.

 


publicado por Sofá Rouge, às 12:56link do post | comentar

Serão vozes de infinito que vivem em mim? Serão passos descalços de sanidade que obrigam caminho? Ou serei eu, mais a mais de mim mesmo, na infinidade de mim, quem ensurdece os ouvidos, nas vozes imensas que habitam em mim.


publicado por Sofá Rouge, às 12:40link do post | comentar

É o tempo dos abraços sonhados. Sim, o fim do tempo, dos tempos, onde já nada existe, onde já tudo foi. Mesmo que apenas abraços sonhados, no fim dos tempos do tempo.


publicado por Sofá Rouge, às 11:55link do post | comentar

Há dias assim...

 

Enevoados.

De olhos trocados.

Orelhas caídas.

Desanimados.

De horas malditas.

Acabrunhados.

 

Há dias assim...

 


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