02
Out 12
publicado por Sofá Rouge, às 09:50link do post | comentar

Pedaços soltos do novo romance "branco", a ser lançado brevemente.

 

 

"Malhas de pensamento entrelaçam-se em matrizes tridimensionais de vidas e episódios passados. A linearidade da vida confunde-se com a noção de espaço e tempo. Nasce-se, vive-se e morre-se em intervalos definidos de tempo vivido, passado. O agora é passado, nunca presente. Alcançar o presente é a utopia das utopias da humanidade. Agora, foi-se. Vive-se – ou acredita-se, pelo menos – em busca do futuro, sonhando com o amanhã, esquecendo o futuro do agora e largando as bases do passado. Ninguém se preocupa mais com o que é ou foi. Episódios vividos desculpam-se em insolentes argumentos de fracas vivências. Justifica-se tudo, esquece-se o que não importa, escondem-se fantasmas em armários cada vez mais carregados e pesados. Não importam valores, credos, moralidades. O que se fez está feito. O impacto das nossas decisões não é devidamente medido nem pensado. Ninguém perde o tempo suficiente a tentar conhecer-se. Habilmente descobrimos os confins do universo, as suas mais secretas fórmulas, os seus mais negros buracos, mas descuidamos de nos conhecer. Em nós, tudo é perdoado e justificado."

 

"Os cordeiros são formatados para pensarem todos da mesma maneira. Não apenas no pensar, mas também no agir, comer, viver da mesma forma. Ordenada, seguidora, desligada, sem necessidade de colocar os neurónios a funcionar. Formatam-se crianças, aos magotes, em ideais sociais de boas maneiras, de bem pensar, de bem agir. Premeia-se o igual, isola-se o diferente. Obrigam-se os nados vivos a materializarem-se numa torrente de seguidores cegos e disformes de movimento, em fileiras de sentido único, procurando
nada, questionando nada, aceitando tudo. Despreza-se o auto-conhecimento, ignora-se o indivíduo. Importa ser encarrilado em vagões de pensamento comum, procurando líderes
vazios de ideais, com lábios rasgados de sorrisos fabricados em pensamentos obtusos e descaracterizados do próprio ser."

 


Bem, este excerto deixa uma certa ansiedade, uma certa vontade de devorar o "branco". Estou de facto ansiosa por ler este teu romance!!! Não foge da tua escrita nem tão pouco do teu pensamento peculiar e único. Sim, aguardo na espera. que se faz demorada!! :))
Cristina a 2 de Outubro de 2012 às 10:04

Uma escrita frontal, arrojada e que nos coloca a pensar.
Anónimo a 2 de Outubro de 2012 às 10:56

Outubro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
11
13

14
15
16
19
20

26
27

28
31


comentários recentes
Das coisas mais belas que li... De uma simplicidad...
Maravilhoso texto sobre o tempo, um recurso que de...
Gosto da sua escrita... gosto mesmo muito, gosto d...
Não gosto de rótulos nem de catalogar as coisas......
Gosto tanto da forma como expõe ideias, gosto da m...
Posts mais comentados
43 comentários
39 comentários
18 comentários
13 comentários
11 comentários
Donativos